Levantamento inédito do Climate Policy Initiative aponta para necessidade de revisar políticas para o setor. 

Fatores que estão relacionados com a demanda por energia elétrica em um determinado município, como tarifa de eletricidade, renda e tamanho da população, precisam ser considerados pelo governo brasileiro para estimular o mercado de geração distribuída fotovoltaica, cuja geração de energia é feita a partir da luz solar, na unidade consumidora. Esta é a principal recomendação de um novo estudo realizado pelo Climate Policy Initiative/ Núcleo de Avaliação de Políticas Climáticas da PUC-Rio (CPI/ NAPC), que analisa a penetração de geração distribuída fotovoltaica em 5.563 municípios brasileiros.

A análise do CPI/ NAPC mostra que a região Nordeste, que tem os maiores índices de radiação solar média anual no Brasil, é também a que tem a menor tarifa média de energia elétrica, devido, em parte, à existência de subsídios. Esse desenho de política faz com que as tarifas na região sejam artificialmente baixas, o que reduz a rentabilidade dos investimentos em painéis fotovoltaicos. A variação de preços entre localidades leva o mercado de energia solar a se concentrar na região Sudeste, que tem a tarifa média de energia elétrica mais cara do Brasil.

“A política de subsidiar consumidores do Nordeste é importante, mas tem como efeito colateral não estimular o desenvolvimento do mercado de geração distribuída fotovoltaica na região”, explica Juliano Assunção, diretor executivo do CPI/ NAPC e professor do Departamento de Economia da PUC-Rio. “É preciso pensar em políticas de incentivo às fontes renováveis que incorporem estratégias de desenvolvimento econômico para as regiões mais pobres do país”.

O estudo também identifica que municípios com maior Produto Interno Bruto (PIB) e maior população têm maior número de unidades com geração fotovoltaica distribuída. No entanto, o percentual de municípios com este tipo de geração de energia é de apenas 26%: até junho de 2017, somente 1.478 municípios tinham unidades com geração fotovoltaica distribuída. O Rio de Janeiro lidera o ranking de municípios com mais painéis solares no Brasil, com 436.

“O que aprendemos com esse estudo é que a disponibilidade de recursos naturais, por si só, não é suficiente para estimular a geração de energia solar no país”, diz Assunção. “Portanto, o aumento da participação de fontes renováveis na matriz energética brasileira dependerá de uma revisão das políticas desenvolvidas para o setor”.

Acesse o estudo: https://goo.gl/xFLXoV.

Comunicação

Mariana Campos
mariana.campos@cpirio.org
+55 21 35272520 / 972993553

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