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Estudo do CPI/PUC-Rio mostra que automação e mudanças regulatórias promovem um salto nas análises do CAR.  

Novo estudo do Climate Policy Initiative/PUC-Rio (CPI/PUC-Rio) revela que o Brasil triplicou o total de análises concluídas do Cadastro Ambiental Rural (CAR) em 2025. Ao todo, são 1,9 milhão de cadastros com análise iniciada e 724 mil registros validados. Mas os avanços na implementação da lei seguem desiguais entre os estados. 

Em 2025, o número de análises iniciadas do CAR cresceu de modo significativo nos estados que adotaram sistemas de automação, como Alagoas, Amapá, Ceará, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo.  

São Paulo lidera com 399 mil cadastros com análise iniciada (90% da sua base), seguido por Paraná com 284 mil (52%), Ceará com 275 mil (69%) e Pará com 253 mil análises iniciadas (72%). Oito estados e o Distrito Federal não apresentam nem 10 mil análises; é o caso de Amapá, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte, Roraima, Santa Catarina, Sergipe e Tocantins.  

“Novas estratégias na análise dos cadastros têm sido fundamentais para converter a automação em resultados concretos de validação. Alguns estados vêm obtendo saltos expressivos mensais, após adoção de sistemas automatizados somados à retificação compulsória dos cadastros, então vamos chegar ao final do ano com percentuais ainda mais elevados de validação. O avanço, contudo, chama atenção para um novo desafio: a ausência de informações fundiárias verificáveis no CAR começa a se consolidar como um dos principais entraves à continuidade das análises”, observa Cristina Leme Lopes, Gerente Sênior de Pesquisa do CPI/PUC-Rio.   

Segundo o estudo, a conclusão das análises com a validação dos cadastros ainda é o maior desafio da agenda. Poucos estados avançam de modo consistente, e vários possuem percentual baixo de validações, porque a conclusão das análises depende de ações dos produtores. Há um número significativo de cadastros na condição “aguardando atendimento à notificação”. Lopes explica que nove estados não alcançaram nem 1% da base cadastral. 

Os principais avanços na conclusão das análises foram alcançados pelos estados que combinaram análise automatizada, retificação automática com aceite compulsório e ajustes cartográficos que destravaram cadastros antes bloqueados por pequenas inconsistências. 

São Paulo adotou de modo pioneiro a retificação compulsória para imóveis de até 4 módulos fiscais e transformou análise dinamizada em validação efetiva. O Paraná replicou o modelo em 2025 e se tornou o estado com o maior número absoluto de validações no ano. 

“As iniciativas dos dois estados indicam que a integração de ferramentas de automação com mudanças procedimentais é essencial para superar empecilhos na análise. Para que os estados avancem de modo contínuo, são necessários infraestrutura tecnológica sólida, dados cartográficos precisos e a resolução de pendências fundiárias.”, comenta Lopes. 

Em Mato Grosso, por exemplo, 30% dos cadastros apresentam sobreposições, o que impede a validação automática e impõe a necessidade de retificação pelos produtores. Quando as retificações não ocorrem, o processo fica paralisado.  

O governo federal tem avançado na integração entre o Sicar, o Sistema Nacional de Cadastro Rural (SNCR) e o Sistema de Gestão Fundiária (Sigef) visando reduzir inconsistências fundiárias e cadastrais. 

“A integração entre os sistemas pode ajudar a resolver parte dos impasses, pois possibilita que sistemas automatizados identifiquem cadastros com base georreferenciada validada. Contudo, o Sigef cobre apenas uma parte dos imóveis rurais. É crucial, assim, incluir alternativas complementares e estratégias que incentivem, facilitem e acompanhem a correção das sobreposições.”, afirma Joana Chiavari, diretora de pesquisa do CPI/PUC-Rio. 

Regularização ambiental avança em alguns estados 

O Programa de Regularização Ambiental (PRA) registrou progressos significativos em 2025, especialmente nos estados que aliaram o avanço nas análises do CAR com a adoção de sistemas digitais mais robustos. São Paulo e Mato Grosso ampliaram a formalização de termos de compromisso, e Maranhão quadruplicou o número de termos assinados. Entre os estados que ainda não haviam iniciado essa etapa, somente Amazonas passou a operar o programa este ano.  

Ao todo, 20 estados e o Distrito Federal já regulamentaram o PRA e adotaram métricas para a recuperação dos passivos em Áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal. Seis estados (Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Sergipe) ainda carecem de normas mínimas para viabilizar a regularização ambiental rural.  

Mapeamento por região  

No Sudeste, todos os estados implementaram todas as etapas do CAR e PRA. São Paulo tem o maior número de cadastros analisados, e Minas Gerais segue progredindo na análise dos cadastros e na regularização ambiental. O Espírito Santo avançou nas análises de imóveis rurais maiores que quatro módulos fiscais e concluiu a integração do seu sistema ao Sicar. Rio de Janeiro, o último estado da região a avançar, acelerou a análise dos cadastros em 2025 e a emissão das primeiras CRAs do Brasil, em parceria com o SFB.  

No Centro-Oeste, Mato Grosso continua sendo o principal destaque da região e também um dos mais inovadores na agenda de implementação da lei. O estado obteve avanços contínuos nas análises e na regularização ambiental. Nos outros estados da região, o ritmo é mais desigual.  

No Sul, após anos de baixa implementação, os estados mudaram a postura sobre o Código Florestal. O Paraná é o segundo estado com mais cadastros analisados do país e um dos estados que mais progrediram este ano, obtendo avanços na análise dinamizada, adotando mecanismos de revisão automática e reestruturando a governança do CAR. Santa Catarina retomou a agenda, instituindo governança robusta para implementação da lei. Já o Rio Grande do Sul firmou acordo judicial reconhecendo que o pastoreio em áreas de campo nativo não descaracteriza a vegetação remanescente, o que pode viabilizar a implementação do CAR e do PRA no Bioma Pampa. 

No Nordeste, Alagoas e Ceará avançaram bastante na análise dos cadastros com a adoção da análise dinamizada e na validação dos CARs, mas um elevado número de cadastros ainda aguarda atendimento à notificação. O Piauí obteve um crescimento relevante no número de análises com a adoção da análise dinamizada, mas ainda pequeno quando comparado ao tamanho da sua base cadastral. Bahia permanece como a grande lacuna da região, sem dados públicos disponíveis ou sinais concretos de implementação da lei. 

Na Região Norte, nenhum estado apresentou avanços significativos na implementação do Código Florestal em 2025. Pará priorizou a inscrição de lotes de assentamento e o desenvolvimento de novo sistema de gestão do CAR, sem aumentos relevantes nas análises; Rondônia ampliou os termos de compromisso; Acre, apesar da desaceleração das análises, destacou-se na conversão de passivos em regularização.  

Pacto entre governos  

Em 2025, a atuação do governo federal na gestão do Sicar ganhou consistência, com avanços concretos em governança, infraestrutura e articulação federativa. O Sicar  vem passando por uma transformação em sua estrutura, contando com gestão compartilhada entre Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), Serviço Florestal Brasileiro (SFB) e o apoio técnico da Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev). 

Outro destaque foi a construção de um modelo de governança interfederativa com os estados, com a criação da Rede CAR. Para Chiavari, a atuação conjunta do MGI, SFB e dos estados na Rede CAR tem ajudado na construção de um modelo baseado na cooperação, transparência e padronização mínima de procedimentos.  

“Para o Código Florestal se consolidar como peça-chave da política climática brasileira, precisamos fortalecer a implementação da lei. Os avanços dependem não só de ações dos governos, mas também de previsibilidade regulatória e segurança jurídica. É crucial haver um pacto coordenado entre governo federal e estaduais, de modo que cada um reconheça a sua responsabilidade e atue de forma cooperativa.”, destaca Chiavari. 

Desde 2019, o CPI/PUC-Rio monitora a implementação do Código Florestal em todos os estados brasileiros, coletando dados nas bases públicas e estabelecendo diálogos diretamente com órgãos estaduais de meio ambiente e de agricultura.  

Acesse o estudo na íntegra: bit.ly/OndeEstamos2025

Sobre o Climate Policy Initiative 

O Climate Policy Initiative (CPI) é uma organização com experiência internacional em análise de políticas públicas e finanças, que possui sete escritórios ao redor do mundo. No Brasil, é afiliado à Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e atua no aprimoramento de políticas públicas e finanças sustentáveis a fim de promover a transição para uma economia de baixo carbono. O CPI/PUC-Rio desenvolve análises baseadas em evidência e estabelece parcerias estratégicas com membros do governo, da sociedade civil, do setor privado e de instituições financeiras.  

Mais informações: 
Camila Calado Lima
camila.lima@cpiglobal.org 
(86) 99966-0560 

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