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As emissões do setor agropecuário são responsáveis por um quinto das emissões globais de gases de efeito estufa (GEE). Reduzi-las é, portanto, fundamental para mitigar as mudanças climáticas a nível global. No Brasil, o setor agropecuário é ainda mais importante. Ele é responsável por dois terços das emissões de GEE. O impacto do setor é duplo, visto que as emissões geradas pela produção de alimentos, carne, leite e derivados se somam às emissões associadas à conversão de florestas em pastagens e lavouras. Nesse contexto, aumentos da produtividade da agropecuária tem potencial para permitir os produtores rurais expandirem sua produção utilizando a mesma ou mesmo menos terra – reduzindo as emissões associadas à conversão de florestas.

Um exemplo desse potencial reside na pecuária. O principal destino das áreas desmatadas é a formação de pastagens para a criação de gado. No total, pastagens ocupam 154 milhões de hectares de norte a sul do país, área essa que equivale a todo o Estado do Amazonas.[1] Elas têm se expandido especialmente na Amazônia. A área de pastagens desse bioma avançou 38 milhões de hectares entre 1985 e 2020,[2] tornando a Amazônia o bioma com maior extensão de pastagens do país. A produtividade, entretanto, avançou muito mais lentamente, se mantendo em torno de uma cabeça de gado por hectare nas últimas décadas. Isso se deve a relação curiosa entre pecuária e desmatamento, uma vez que na região a expansão da pecuária parece estar fortemente relacionada à grilagem.[3]

Reverter esse quadro e promover crescimento da produtividade tem potencial para poupar bastante terra, gerando ganhos econômicos e ambientais substanciais.[4] Nesse sentido, políticas de aumento de produtividade como expansão do crédito rural[5] ou melhorias no acesso à extensão[6] são urgentes e necessárias. Entretanto, essas políticas não são suficientes. É preciso alinhá-las à políticas de inibição do desmatamento e da ocupação predatória da Amazônia, como políticas de comando e controle e de designação de terras e combate à grilagem de forma a alterar fundamentalmente os incentivos para produção intensiva na região. 


[1] Mapbiomas. Pastagens brasileiras ocupam área equivalente a todo o estado do Amazonas. 2020. bit.ly/3x6vVpe.

[2] Mapbiomas. Pastagens brasileiras ocupam área equivalente a todo o estado do Amazonas. 2020. bit.ly/3x6vVpe.

[3] Lima Filho, Francisco Luis, Arthur Bragança e Juliano Assunção. A Economia da Pecuária na Amazônia: Grilagem ou Expansão da Fronteira Agropecuária? Rio de Janeiro: Climate Policy Initiative, 2021. bit.ly/3x8YzpZ.

[4] Cohn, Avery S. et al. “Cattle ranching intensification in Brazil can reduce global greenhouse gas emissions by sparing land from deforestation”. Proceedings of the National Academy of Sciences 111, n°20 (2014): 7236-7241. bit.ly/3x7ZGWK.

[5] Souza, Priscila, André Sant´Anna, Luciano Machado, Barbara Intropidi e Pedro Vogt. Investimento Rural: Crédito do BNDES Contribui para a Intensificação da Agropecuária. Rio de Janeiro: Climate Policy Initiative, 2022. bit.ly/3Nchdmn.

[6] Bragança, Arthur et al. “Extension services can promote pasture restoration: Evidence from Brazil’s low carbon agriculture plan”. Proceedings of the National Academy of Sciences 119, n°12 (2014): e2114913119. bit.ly/3PUHY0s.

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