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Não ficou claro como Elon Musk poderia ajudar a combater o desmatamento na Amazônia brasileira. Ela é monitorada por um conjunto de sistemas baseados em dados de satélite desde 1988, quando se iniciou o Programa de Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (PRODES) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Com o objetivo de mensuração, o PRODES identifica com precisão áreas desmatadas e usa essa informação para calcular taxas anuais de desmatamento na região. Em 2021, a taxa estimada é de 13.235 km², o maior nível desde 2006.[1]

Se o mapeamento anual já é feito com precisão pelo INPE, seria a contribuição do bilionário tornar mais ágil o combate ao desmatamento? Também não. O Brasil já conta com o Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (DETER), instrumento de apoio ao controle ambiental desde 2004. Ao detectar uma perda de cobertura florestal em tempo quase real, o DETER gera um alerta georreferenciado que delimita a área afetada. Os alertas são enviados às autoridades ambientais brasileiras, que usam essas informações para focalizar seus esforços de fiscalização. Essa ferramenta foi fundamental para a redução do desmatamento observada a partir de 2004.[2]

Talvez uma nova fonte de informação pudesse servir de comparação para os dados públicos, aumentando a transparência do processo? Primeiro que, para isso, o serviço não poderia ser contratado pelo próprio governo, devido a óbvios conflitos de interesse. Ademais, o terceiro setor já cumpre esse papel com diversas iniciativas. Vale destacar o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD)[3] do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia) e o conjunto de produtos do Projeto Mapbiomas.[4]

Em suma, dados gerados por satélite não são um gargalo para a proteção da Floresta Amazônica. O gargalo atual é a capacidade de oferecer uma reação efetiva ao que se enxerga nas fotos de satélite. Nesse sentido, o interesse genuíno em salvaguardar a floresta amazônica passa necessariamente pelo fortalecimento dos órgãos de controle ambiental.


[1] Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite. bit.ly/3wLSbn5.

[2] Assunção, Juliano J. e Clarrisa Gandour. Brazil Knows What to Do to Fight Deforestation in the Amazon: Monitoring and Law Enforcement Work and Must be Strengthened. Rio de Janeiro: Climate Policy Initiative, 2019. bit.ly/3NvuF4t.

[3] Imazon. Entenda o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD). 2021. bit.ly/3wEeyuA.

[4] Mapbiomas Alerta. Dados sobre fiscalização mostram que impunidade ainda predomina no combate ao desmatamento. 2022. bit.ly/3sQHnme.

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