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Pesquisa do CPI/PUC-Rio destaca o papel estratégico do metano e propõe medidas para alinhar crescimento econômico e redução de emissões. 

A pecuária bovina responde por 17% das emissões nacionais e por mais de 60% do metano emitido no Brasil, principalmente pelo processo digestivo de bovinos de corte e leite. A descarbonização do Brasil passa, assim, necessariamente pela transformação da pecuária. A conclusão é do novo estudo do Climate Policy Initiative/PUC-Rio.  

Juliano Assunção, diretor executivo do CPI/PUC-Rio.  

Em 2025, o Brasil consolidou-se como o maior exportador de carne do mundo. O rebanho bovino nacional triplicou nos últimos 60 anos e estima-se crescimento de mais 5% nos próximos anos. Aumentos no rebanho implicam em aumento do aquecimento global.  

“O metano é um gás de efeito estufa altamente potente e com ciclo de vida curto. Na agropecuária, a fermentação entérica é a principal origem das emissões. É um processo biológico que ocorre no sistema digestivo dos bovinos. Durante a digestão do boi, microrganismos no rúmen decompõem a matéria orgânica ingerida pelos animais, gerando metano, o qual é liberado principalmente por meio da respiração e da eructação.”, diz Gabriela Zangiski, pesquisadora sênior do CPI/PUC-Rio. 

Soluções para pecuária mais sustentável 

Para Assunção, ações estratégicas no setor pecuário brasileiro podem produzir impactos imediatos na redução das emissões de metano, alinhando ganhos de produtividade com avanços em sustentabilidade.  

“O Brasil reúne escala produtiva e relevância econômica que o colocam em uma posição de destaque. É necessário fortalecer instrumentos já existentes, valorizando conexões entre políticas agrícolas, ambientais e de desenvolvimento rural”, destaca Assunção. 

recuperação de pastagens é apontada no estudo como uma das estratégias de maior impacto, principalmente quando alinhada à assistência técnica individualizada. Sistemas integrados com pecuária e floresta, por outro lado, possuem ainda mais potencial de impacto, embora também requeiram assistência técnica, além de investimento inicial mais alto.  

Com o aumento da produtividade biológica, é possível produzir mais carne por animal ao longo da vida produtiva, reduzindo a emissão de metano por unidade de produto.  

Melhorias na qualidade e no manejo de alimentos contribuem para aumentar a produtividade e reduzir as emissões oriundas da fermentação entérica. Zangiski destaca os aditivos alimentares como uma das estratégias mais diretas para redução do metano entérico. 

Sobre a gestão do sistema produtivo, a pesquisadora explica que é central controlar a taxa de lotação, ajustando o número de animais à capacidade produtiva das pastagens. 

Gabriela Zangiski, pesquisadora sênior do CPI/PUC-Rio 

O estudo traz também três recomendações sobre o crédito rural: 

  • Fortalecer a articulação entre crédito rural, assistência técnica e desempenho mensurável;
  • Direcionar o crédito rural e políticas correlatas para sistemas produtivos que conciliem ganhos de produtividade e redução de emissões;
  • Fortalecer a rastreabilidade e o monitoramento ao longo da cadeia produtiva da pecuária.

“A agropecuária é o segundo maior emissor de GEE no Brasil, atrás somente do desmatamento. O metano precisa ser tratado como prioridade na política climática para o setor pecuário brasileiro.”, ressalta Assunção. 

Acesse o estudo na íntegra: https://bit.ly/EmissoesdeMetano

Sobre o Climate Policy Initiative/PUC-Rio  

O Climate Policy Initiative (CPI) é uma organização com experiência internacional em análise de políticas públicas e finanças, que possui sete escritórios ao redor do mundo. No Brasil, é filiado à PUC-Rio. O CPI/PUC-Rio apoia políticas públicas climáticas no país, através de análises baseadas em evidência e parcerias estratégicas com membros do governo e da sociedade civil.

Para mais informações, entre em contato com:   
Camila Calado Lima    
camila.lima@cpiglobal.org    
(86) 99966-0560     

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