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Se não assegurar novas fontes de recursos, o Brasil deixará de produzir dados oficiais sobre o desmatamento no Cerrado a partir de abril de 2022. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), órgão governamental responsável pelos sistemas de monitoramento remoto do segundo maior bioma brasileiro, tem a experiência e a capacidade técnica, mas não a verba garantida para dar continuidade ao monitoramento do bioma. 

Sistemas de monitoramento de cobertura vegetal são peças-chave para uma estratégia de desenvolvimento sustentável do país. A capacidade de enxergar, com rapidez e precisão, o que acontece com a vegetação nativa é um insumo crítico para a proteção dessa vegetação. Na Amazônia, primeiro bioma brasileiro a ser monitorado remotamente pelo INPE, o acompanhamento do desmatamento e da degradação florestal em tempo quase-real foi fundamental para fortalecer ações de controle ambiental. Além de ter sido efetiva para reduzir o desmatamento na Amazônia a partir de 2004, a estratégia de monitoramento e fiscalização foi barata, pois seus benefícios em muito superaram seus custos.

Soma-se a isso que sistemas de monitoramento são essenciais para avançar a compreensão sobre o bioma. A interrupção do fornecimento de dados afetará negativamente a capacidade de produção científica sobre o Cerrado, restringirá o acesso à informação por parte da sociedade civil e impedirá que o setor produtivo brasileiro adote boas práticas de transparência como um diferencial comercial para seu produto em mercados globais.  

Atualmente, quase metade da vegetação nativa do Cerrado já foi desmatada, sendo a expansão da agropecuária a principal força por trás desse desmatamento. Sem dados sobre o Cerrado, será impossível monitorar o cumprimento das metas climáticas brasileiras, comprometendo a reputação do Brasil no cenário internacional. Manter os sistemas de monitoramento no Cerrado é relativamente barato e o benefício potencial é alto. O iminente apagão de dados para o Cerrado representa um grave retrocesso ambiental, social e econômico para o Brasil — e um retrocesso que pode ser facilmente evitado. 

 

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