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Estudo do CPI/PUC-Rio apresenta dois fatores-chave para aumentar o acesso ao crédito. 

O Pronaf é o principal instrumento de crédito para a agricultura familiar e, apesar dos recursos crescerem a cada ano, a maioria dos agricultores continua sem acesso ao crédito. Cerca de 85% dos agricultores familiares não tiveram acesso ao Pronaf no ano safra 2016/17. Novo estudo do  Climate Policy Initiative/PUC-Rio mostra que, em média, o acesso municipal ao Pronaf na Região Sul é cerca de cinco vezes maior que o acesso municipal na Região Norte.    

Pesquisadores identificam que o maior acesso ao Pronaf na Região Sul está diretamente ligado à oferta de assistência técnica e extensão rural (ATER) e à associação a cooperativas de agricultores. A partir daí, com base em um exercício de simulação contrafactual, pesquisadores investigaram qual seria o acesso ao Pronaf caso os municípios das demais regiões brasileiras tivessem as características médias dos municípios da Região Sul. 

Se a Região Norte tivesse o mesmo nível de oferta de ATER que a Região Sul, o acesso ao Pronaf aumentaria 53,8%. Igualando o nível de cooperativismo, o acesso da Região Norte sobe 38,5%.  

No Nordeste, o aumento da ATER gera crescimento de 63,5% no acesso ao Pronaf, número superior ao cooperativismo (19,2%).  

“A ATER é um instrumento importante para complementar a política de crédito rural. Além de aumentar o conhecimento do agricultor familiar sobre sua prática agrícola e o acesso ao Pronaf, ela desempenha papel fundamental na adaptação às mudanças climáticas. No entanto, a análise dos investimentos realizados desde 2003 mostra que o instrumento não está sendo efetivamente aproveitado.”, diz Alan Leal, pesquisador sênior do CPI/PUC-Rio. 

Leal explica que dados do Ministério de Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) revelam tendência de queda nos investimentos federais em ATER. Em 2024, os valores chegaram a R$225,39 milhões. Já em 2025, totalizaram apenas R$26,48 milhões até outubro.  

O estudo aponta ainda que, nas Regiões Centro-Oeste e Sudeste, a associação a cooperativas contribui mais para aumentar o acesso ao Pronaf do que a assistência técnica. De acordo com o exercício de simulação, o acesso ao Pronaf no Centro-Oeste cresceria 28,9%, caso tivesse o mesmo nível de cooperativismo que a Região Sul e 8,7% com o mesmo nível de ATER. No Sudeste, o aumento seria de 22,5%, considerando o mesmo nível de cooperativismo, e de 10,1%, considerando o mesmo nível de ATER.   

“A agricultura familiar ocupa 77% das propriedades rurais e emprega mais de 10 milhões de pessoas, mas somente 15% está acessando o Pronaf. Para aumentar o acesso ao crédito, precisamos complementá-lo com outras políticas e, assim, apoiar devidamente os agricultores familiares. A assistência técnica e a associação a cooperativas ajudam a suprir lacunas no acesso à informação e a expandir o acesso ao crédito.”, observa Juliano Assunção, diretor executivo do CPI/PUC-Rio. 

Acesse o estudo na íntegra: bit.ly/QuemFicaDeForaPronaf

Sobre o Climate Policy Initiative 

O Climate Policy Initiative (CPI) é uma organização com experiência internacional em análise de políticas públicas e finanças, que possui sete escritórios ao redor do mundo. No Brasil, é afiliado à Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e atua no aprimoramento de políticas públicas e finanças sustentáveis a fim de promover a transição para uma economia de baixo carbono. O CPI/PUC-Rio desenvolve análises baseadas em evidência e estabelece parcerias estratégicas com membros do governo, da sociedade civil, do setor privado e de instituições financeiras.  

Mais informações: 
Camila Calado Lima
camila.lima@cpiglobal.org 
(86) 99966-0560  

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