{"id":73622,"date":"2024-10-17T12:22:38","date_gmt":"2024-10-17T12:22:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/?post_type=cpi_publications&#038;p=73622"},"modified":"2026-04-19T08:45:16","modified_gmt":"2026-04-19T08:45:16","slug":"desmatando-as-hidreletricas-a-ameaca-do-desmatamento-na-amazonia-para-a-energia-do-brasil","status":"publish","type":"cpi_publications","link":"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/pt-br\/publication\/desmatando-as-hidreletricas-a-ameaca-do-desmatamento-na-amazonia-para-a-energia-do-brasil\/","title":{"rendered":"(Des)matando as Hidrel\u00e9tricas: A Amea\u00e7a do Desmatamento na Amaz\u00f4nia para a Energia do Brasil"},"content":{"rendered":"\n<p>A floresta Amaz\u00f4nica desempenha um papel crucial na agenda clim\u00e1tica global e na economia brasileira. Possui grande capacidade de armazenamento de carbono e prov\u00ea servi\u00e7os ecossist\u00eamicos essenciais, incluindo a regula\u00e7\u00e3o dos padr\u00f5es de chuva em escala continental. Nesse sentido, a perda de vegeta\u00e7\u00e3o florestal afeta negativamente a biodiversidade local, o desenvolvimento econ\u00f4mico do pa\u00eds e a estabilidade clim\u00e1tica global.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pesquisadores do Climate Policy Initiative\/Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio de Janeiro (CPI\/PUC-Rio) analisam o impacto das altera\u00e7\u00f5es dos padr\u00f5es de chuva, causadas pelo desmatamento, na gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica nacional. O estudo demonstra que o desmatamento na Amaz\u00f4nia afeta negativamente a capacidade e a receita da gera\u00e7\u00e3o de eletricidade do pa\u00eds, alcan\u00e7ando, inclusive, Usinas Hidrel\u00e9tricas (UHEs) situadas a quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia do bioma Amaz\u00f4nia.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Esta publica\u00e7\u00e3o aponta, por meio de dois estudos de casos, os efeitos do desmatamento na gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica tanto dentro quanto fora da Amaz\u00f4nia. O primeiro estudo de caso, com foco na UHE Teles Pires,<a id=\"_ftnref1\" href=\"#_ftn1\"><sup>[1]<\/sup><\/a> no estado do Mato Grosso, identifica que o desmatamento levou a uma perda mensal de gera\u00e7\u00e3o entre 2,5% e 10%, resultando em uma redu\u00e7\u00e3o de R$ 118 milh\u00f5es na receita anual da hidrel\u00e9trica. O segundo estudo de caso investiga o impacto do desmatamento para al\u00e9m da regi\u00e3o Amaz\u00f4nica. Ao analisar as usinas da bacia do Paran\u00e1, pesquisadores identificam uma perda de gera\u00e7\u00e3o de cerca de 3%. Para a UHE Salto, por exemplo, a perda de gera\u00e7\u00e3o corresponde \u00e0 potencial perda de lucro anual, para a empresa controladora, de aproximadamente 10%.<\/p>\n\n\n\n<p>A hidroeletricidade tem sido, historicamente, a principal fonte de gera\u00e7\u00e3o do sistema el\u00e9trico brasileiro, representando 48,6% da capacidade instalada e 60,2% da gera\u00e7\u00e3o total em 2023.<a id=\"_ftnref2\" href=\"#_ftn2\"><sup>[2]<\/sup><\/a> A energia hidrel\u00e9trica \u00e9 uma fonte de gera\u00e7\u00e3o renov\u00e1vel, economicamente competitiva e que traz flexibilidade operativa ao sistema el\u00e9trico. Por outro lado, \u00e9 uma fonte vulner\u00e1vel a altera\u00e7\u00f5es nos regimes hidrol\u00f3gicos. Desta forma, mudan\u00e7as nos padr\u00f5es de precipita\u00e7\u00e3o impactam a gera\u00e7\u00e3o de energia hidrel\u00e9trica.<\/p>\n\n\n\n<p>Este estudo visa salientar a conex\u00e3o entre a floresta e a gera\u00e7\u00e3o de energia, demonstrando que o impacto do desmatamento na Amaz\u00f4nia extrapola a \u00e1rea desmatada e afeta a gera\u00e7\u00e3o hidrel\u00e9trica nacional. Nesse sentido, p\u00f5e no centro do debate a resili\u00eancia da matriz el\u00e9trica brasileira, j\u00e1 pressionada por um panorama desafiador do ponto de vista da escassez h\u00eddrica e da maior frequ\u00eancia de eventos clim\u00e1ticos extremos. Apesar da an\u00e1lise realizada neste estudo ser direcionada a usinas espec\u00edficas, ela levanta a hip\u00f3tese de que a confiabilidade e a disponibilidade da gera\u00e7\u00e3o hidrel\u00e9trica nacional podem ser impactadas pelo desmatamento. Ademais, o estudo identifica as regi\u00f5es na Amaz\u00f4nia que contribuem para a gera\u00e7\u00e3o hidrel\u00e9trica das usinas analisadas e aponta as categorias fundi\u00e1rias presentes nas \u00e1reas de influ\u00eancia para cada usina. Ao identificar as \u00e1reas de maior relev\u00e2ncia para a gera\u00e7\u00e3o hidrel\u00e9trica, esta an\u00e1lise apresenta as \u00e1reas priorit\u00e1rias para a implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de conserva\u00e7\u00e3o e restaura\u00e7\u00e3o, o que permite orientar o desenho de mecanismos de financiamento efetivos e o direcionamento de recursos p\u00fablicos e privados.<\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados ressaltam a necessidade de definir estrat\u00e9gias que conciliem as pol\u00edticas de conserva\u00e7\u00e3o e restauro com aquelas de gera\u00e7\u00e3o de energia, garantindo maior integra\u00e7\u00e3o institucional entre os temas de energia e meio ambiente. Principalmente porque grande parte do sistema de gera\u00e7\u00e3o de energia do Brasil est\u00e1 exposto a este processo \u2014 17 das 20 hidrel\u00e9tricas com maior capacidade est\u00e3o no caminho dos <em>rios voadores<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Floresta e Gera\u00e7\u00e3o de Energia: Quantificando os Rios Voadores<\/h2>\n\n\n\n<p>O fen\u00f4meno dos rios voadores \u00e9 definido na literatura como as correntes de ar carregadas de umidade que, a partir da Amaz\u00f4nia, margeiam o leste da Cordilheira dos Andes no sentido norte-sul, transportando grande quantidade de umidade.<sup><a id=\"_ftnref3\" href=\"#_ftn3\">[3]<\/a>,<a id=\"_ftnref4\" href=\"#_ftn4\">[4]<\/a>,<a id=\"_ftnref5\" href=\"#_ftn5\">[5]<\/a>,<a id=\"_ftnref6\" href=\"#_ftn6\">[6]<\/a><\/sup> As florestas tropicais recarregam as correntes de ar com umidade, produzindo um impacto significativo nos padr\u00f5es de precipita\u00e7\u00e3o, o que influencia o abastecimento de \u00e1gua para a produ\u00e7\u00e3o de energia. O nexo entre desmatamento e perda de gera\u00e7\u00e3o de energia, estudado por Ara\u00fajo,<a id=\"_ftnref7\" href=\"#_ftn7\"><sup>[7]<\/sup><\/a> encontra-se ilustrado na Figura 1.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Figura 1.<\/strong> Nexo Desmatamento e Perda de Gera\u00e7\u00e3o de Energia<\/p>\n\n\n\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"900\" height=\"618\" class=\"wp-image-78238\" style=\"width: 900px;\" src=\"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/figura1pt.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/figura1pt.png 2183w, https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/figura1pt-300x206.png 300w, https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/figura1pt-1024x703.png 1024w, https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/figura1pt-1536x1054.png 1536w, https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/figura1pt-2048x1405.png 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Fonte:<\/strong> CPI\/PUC-Rio, 2024<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Quando ocorre desmatamento, as correntes de ar que passam por \u00e1reas desmatadas ficam menos \u00famidas. Como consequ\u00eancia, a redu\u00e7\u00e3o da umidade do ar diminui a incid\u00eancia de chuva ao longo do trajeto. Com isso, a vaz\u00e3o dos rios situados ao longo das trajet\u00f3rias das correntes de ar \u00e9 reduzida, o que, por fim, diminui a capacidade de gera\u00e7\u00e3o hidrel\u00e9trica nas usinas. A perda de vegeta\u00e7\u00e3o florestal, portanto, impacta diretamente a produtividade das usinas hidrel\u00e9tricas.<\/p>\n\n\n\n<p>A Figura 2 demonstra como as correntes de ar provenientes do Oceano Atl\u00e2ntico atravessam a Amaz\u00f4nia e, em seguida, passam por regi\u00f5es onde se encontra parte substancial das usinas hidrel\u00e9tricas brasileiras, fundamentais para o abastecimento do sistema el\u00e9trico nacional. Das 20 hidrel\u00e9tricas de maior capacidade do pa\u00eds, 17 est\u00e3o expostas ao mecanismo dos rios voadores.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Figura 2.<\/strong> Hidrel\u00e9tricas Brasileiras e a Trajet\u00f3ria dos Ventos<\/p>\n\n\n\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"727\" class=\"wp-image-78241\" style=\"width: 800px;\" src=\"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/figura2pt.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/figura2pt.png 1993w, https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/figura2pt-300x273.png 300w, https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/figura2pt-1024x931.png 1024w, https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/figura2pt-1536x1397.png 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Fonte:<\/strong> CPI\/PUC-Rio com base nos dados de Copernicus-ERA5 (2023), MapBiomas (2023) e Aneel (2000), 2024<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Dada a relev\u00e2ncia da presen\u00e7a da hidroeletricidade na matriz el\u00e9trica brasileira e as regi\u00f5es afetadas pelo nexo desmatamento-gera\u00e7\u00e3o de energia, a altera\u00e7\u00e3o no padr\u00e3o de chuvas em decorr\u00eancia do desmatamento pode ter um impacto substancial na gera\u00e7\u00e3o de energia do pa\u00eds.<sup><a id=\"_ftnref8\" href=\"#_ftn8\">[8]<\/a>,<a id=\"_ftnref9\" href=\"#_ftn9\">[9]<\/a><\/sup> Como consequ\u00eancia, pode ocasionar o aumento do pre\u00e7o da energia, al\u00e9m de agravar quest\u00f5es ambientais, caso a gera\u00e7\u00e3o h\u00eddrica seja substitu\u00edda pela utiliza\u00e7\u00e3o de termeletricidade a partir de recursos f\u00f3sseis, e de seguran\u00e7a energ\u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Os Efeitos do Desmatamento na UHE Teles Pires<\/h2>\n\n\n\n<p>O primeiro estudo de caso analisa os impactos na Usina Hidrel\u00e9trica Teles Pires, localizada no rio hom\u00f4nimo, entre os estados do Mato Grosso e Par\u00e1. A escolha da UHE deve-se \u00e0 sua relev\u00e2ncia na gera\u00e7\u00e3o de energia do pa\u00eds. Com in\u00edcio de opera\u00e7\u00e3o em 2015, ela tem, hoje, capacidade instalada de 1.820 MW, o suficiente para abastecer uma popula\u00e7\u00e3o de 13,5 milh\u00f5es de pessoas.<a id=\"_ftnref10\" href=\"#_ftn10\"><sup>[10]<\/sup><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Para estimar a influ\u00eancia da floresta na gera\u00e7\u00e3o da usina, o estudo toma como base o desmatamento de aproximadamente 690 mil km\u00b2, acumulado entre 1985 e 2020 no bioma Amaz\u00f4nia. O m\u00e9todo aplicado aponta as regi\u00f5es de floresta que impactam o regime de chuvas nas \u00e1reas de influ\u00eancia para a usina. \u00c9 gerado, ent\u00e3o, um cen\u00e1rio hipot\u00e9tico como se n\u00e3o houvesse ocorrido desmatamento. Com isso, o modelo estima o volume de chuva que teria havido nos locais de influ\u00eancia para a UHE Teles Pires, na hip\u00f3tese de aus\u00eancia de desmatamento no per\u00edodo analisado.<a id=\"_ftnref11\" href=\"#_ftn11\"><sup>[11]<\/sup><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Sem a ocorr\u00eancia de desmatamento na regi\u00e3o entre 1985 e 2020, a usina teria tido a capacidade de gerar, em m\u00e9dia, entre 2,5% e 10% a mais do que foi observado.<a id=\"_ftnref12\" href=\"#_ftn12\"><sup>[12]<\/sup><\/a> Levando em conta a capacidade da usina, tais valores correspondem \u00e0 oferta de energia el\u00e9trica para, ao menos, 330 mil pessoas. Ao considerar o pre\u00e7o de venda de energia ao longo do per\u00edodo (Pre\u00e7o de Liquida\u00e7\u00e3o de Diferen\u00e7as &#8211; PLD), essa perda em gera\u00e7\u00e3o de energia equivale a uma perda m\u00e9dia de R$ 118 milh\u00f5es por ano para a usina. Considerando que a perda de receita decorre da perda florestal observada no per\u00edodo, tal valor pode indicar a propens\u00e3o de a usina investir na conserva\u00e7\u00e3o das \u00e1reas de floresta que s\u00e3o relevantes para a manuten\u00e7\u00e3o do fluxo dos rios que a alimentam.<a id=\"_ftnref13\" href=\"#_ftn13\"><sup>[13]<\/sup><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A Figura 3 identifica uma \u00e1rea expressiva que tem influ\u00eancia para a gera\u00e7\u00e3o de energia da UHE Teles Pires. Parte dessa \u00e1rea est\u00e1 desmatada e outra parte, conservada. Em especial, as diversas trajet\u00f3rias das correntes de ar estimadas atravessam aproximadamente 177,5 km\u00b2 de regi\u00f5es desmatadas, o que indica a import\u00e2ncia da ado\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de restaura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir da perda de receita estimada de R$ 118 milh\u00f5es, verifica-se que a \u00e1rea da floresta Amaz\u00f4nica que exerce influ\u00eancia na gera\u00e7\u00e3o de eletricidade em Teles Pires tem valor, na perpetuidade, de em m\u00e9dia R$ 13 mil\/km\u00b2. Contudo, se focarmos apenas nos 5% de \u00e1rea mais relevante para a gera\u00e7\u00e3o de energia da usina, o valor de preservar essa regi\u00e3o da floresta sobe para R$ 33,6 mil\/km\u00b2.<a id=\"_ftnref14\" href=\"#_ftn14\"><sup>[14]<\/sup><\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Figura 3.<\/strong> Impacto da Gera\u00e7\u00e3o de Energia da UHE Teles Pires por \u00c1rea<\/p>\n\n\n\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"750\" height=\"763\" class=\"wp-image-78244\" style=\"width: 750px;\" src=\"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/figura3pt.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/figura3pt.png 2023w, https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/figura3pt-295x300.png 295w, https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/figura3pt-1006x1024.png 1006w, https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/figura3pt-1509x1536.png 1509w, https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/figura3pt-2012x2048.png 2012w\" sizes=\"auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Fonte: <\/strong>CPI\/PUC-Rio com base nos dados de Copernicus-ERA5 (2023), MapBiomas (2023), Sicar (2023), Sigef\/Incra (2023) e Funai (2023), 2024<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Mapear as categorias fundi\u00e1rias das \u00e1reas que afetam a gera\u00e7\u00e3o da UHE Teles Pires \u00e9 crucial para direcionar pol\u00edticas de combate ao desmatamento e desenvolver mecanismos e instrumentos eficazes de conserva\u00e7\u00e3o e restaura\u00e7\u00e3o dessas \u00e1reas. Analisando os 25% de \u00e1rea florestal que mais influenciam a gera\u00e7\u00e3o de eletricidade na UHE Teles Pires, verifica-se que Terra Ind\u00edgena (TI) \u00e9 a principal categoria fundi\u00e1ria, correspondendo a 41,6% e, em segundo lugar, est\u00e3o as regi\u00f5es de floresta n\u00e3o destinada, com 18,5% (Figura 4).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Figura 4.<\/strong> Distribui\u00e7\u00e3o das Categorias Fundi\u00e1rias na Usina de Teles Pires<\/p>\n\n\n\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"900\" height=\"502\" class=\"wp-image-78247\" style=\"width: 900px;\" src=\"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/figura4pt.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/figura4pt.png 2118w, https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/figura4pt-300x167.png 300w, https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/figura4pt-1024x571.png 1024w, https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/figura4pt-1536x857.png 1536w, https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/figura4pt-2048x1143.png 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Fonte:<\/strong> CPI\/PUC-Rio com base nos dados de Copernicus-ERA5 (2023), MapBiomas (2023), Sicar (2023), Sigef\/Incra (2023) e Funai (2023), 2024<\/em><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Os Efeitos do Desmatamento nas UHEs da Bacia do Paran\u00e1<\/h2>\n\n\n\n<p>O segundo estudo de caso<a id=\"_ftnref15\" href=\"#_ftn15\"><sup>[15]<\/sup><\/a> aplica a metodologia adotada em Teles Pires para as tr\u00eas usinas hidrel\u00e9tricas situadas na Bacia do Paran\u00e1 (UHE Salto, UHE Salto do Rio Verdinho e UHE S\u00e3o Domingos) e evidencia o impacto do desmatamento na Amaz\u00f4nia para al\u00e9m do bioma. A sele\u00e7\u00e3o das usinas levou em conta dois crit\u00e9rios: a relev\u00e2ncia da regi\u00e3o para a oferta de eletricidade no pa\u00eds e o fato de serem usinas a fio d\u2019\u00e1gua, ou seja, que n\u00e3o possuem capacidade significativa de armazenamento de \u00e1gua, o que permite observar o efeito direto da vaz\u00e3o do rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Como \u00e9 poss\u00edvel observar na Figura 1, as tr\u00eas usinas est\u00e3o localizadas a quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia do bioma Amaz\u00f4nia, aspecto relevante para analisar a extens\u00e3o dos efeitos do desmatamento na gera\u00e7\u00e3o de energia. A UHE Salto e a UHE Salto do Rio Verdinho est\u00e3o localizadas no Rio Verde, no estado de Goi\u00e1s, e possuem, respectivamente, capacidade instalada de 116 MW e 93 MW.<sup><a id=\"_ftnref16\" href=\"#_ftn16\">[16]<\/a>,<a id=\"_ftnref17\" href=\"#_ftn17\">[17]<\/a><\/sup> A UHE S\u00e3o Domingos est\u00e1 localizada no estado do Mato Grosso do Sul, no Rio Verde,<a id=\"_ftnref18\" href=\"#_ftn18\"><sup>[18]<\/sup><\/a> e tem capacidade instalada de 48 MW.<a id=\"_ftnref19\" href=\"#_ftn19\"><sup>[19]<\/sup><\/a> A metodologia adotada para avaliar o impacto de desmatamento nessas usinas \u00e9 equivalente \u00e0quela adotada para o estudo da UHE Teles Pires. Tal como verificado no primeiro estudo de caso, a perda de energia \u00e9 consequ\u00eancia da menor vaz\u00e3o do rio onde a usina est\u00e1 localizada, em raz\u00e3o da menor incid\u00eancia de chuvas no local, advinda do efeito do desmatamento na floresta Amaz\u00f4nica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Figura 5.<\/strong> Perda Acumulada de Gera\u00e7\u00e3o de Energia e de Receita Associada das UHE Salto, UHE Salto do Rio Verdinho e UHE S\u00e3o Domingos, 2002-2022<\/p>\n\n\n<section class=\"block block-chart is-image\"><div is=\"chart\/image\" class=\"chart-image\">\n\t\t<script type=\"json\/props\">{\n    \"colors\": []\n}<\/script>\n\n\t\t\n\t\t<div element=\"tabs\"><\/div>\n\n\t\t\t\t\t<a class=\"block-chart--image image--link\" href=\"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/UHE-SALTO.png\" target=\"_blank\"><div class=\"image--wrap\"><img src='https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/UHE-SALTO.png' class=\"image\" alt=\"UHE-SALTO\" style=\"max-width:100%\" \/><\/div><\/a><!-- image html = <a class=\"block-chart--image image--link\" href=\"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/UHE-SALTO.png\" target=\"_blank\"><div class=\"image--wrap\"><img src='https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/UHE-SALTO.png' class=\"image\" alt=\"UHE-SALTO\" style=\"max-width:100%\" \/><\/div><\/a>-->\t\t\t\t\t<a class=\"block-chart--image image--link\" href=\"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/UHE-SRV.png\" target=\"_blank\"><div class=\"image--wrap\"><img src='https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/UHE-SRV.png' class=\"image\" alt=\"UHE-SRV\" style=\"max-width:100%\" \/><\/div><\/a><!-- image html = <a class=\"block-chart--image image--link\" href=\"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/UHE-SRV.png\" target=\"_blank\"><div class=\"image--wrap\"><img src='https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/UHE-SRV.png' class=\"image\" alt=\"UHE-SRV\" style=\"max-width:100%\" \/><\/div><\/a>-->\t\t\t\t\t<a class=\"block-chart--image image--link\" href=\"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/UHE-SD.png\" target=\"_blank\"><div class=\"image--wrap\"><img src='https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/UHE-SD.png' class=\"image\" alt=\"UHE-SD\" style=\"max-width:100%\" \/><\/div><\/a><!-- image html = <a class=\"block-chart--image image--link\" href=\"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/UHE-SD.png\" target=\"_blank\"><div class=\"image--wrap\"><img src='https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/UHE-SD.png' class=\"image\" alt=\"UHE-SD\" style=\"max-width:100%\" \/><\/div><\/a>-->\t\t\n\t\t<div element=\"canvas\"><\/div>\n\n\t\t\t\t<group name=\"UHE Salto\">\n\t\t\t<!-- tab -->\t\t\t\n\t\t<\/group>\n\t\t\t\t<group name=\"UHE Salto do Rio Verdinho\">\n\t\t\t<!-- tab -->\t\t\t\n\t\t<\/group>\n\t\t\t\t<group name=\"UHE S\u00e3o Domingos\">\n\t\t\t<!-- tab -->\t\t\t\n\t\t<\/group>\n\t\t\n\n\t\t\n\t\t\t<\/div><\/section>\n\n\n<p><em><strong>Fonte: <\/strong>CPI\/PUC-Rio com base nos dados de Copernicus-ERA5 (2023), ONS (2023), CCEE (2023) e MapBiomas (2023), 2024<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Na Figura 5, est\u00e3o indicadas as perdas acumuladas tanto de energia gerada quanto da receita associada<a id=\"_ftnref20\" href=\"#_ftn20\"><sup>[20]<\/sup><\/a> para o per\u00edodo de 21 anos, entre 2002 e 2022, respectivamente, para a UHE Salto, a UHE Salto do Rio Verdinho e a UHE S\u00e3o Domingos. A perda acumulada da UHE Salto foi de 267 GWh e R$ 74 milh\u00f5es no per\u00edodo analisado. Esses valores correspondem \u00e0 perda m\u00e9dia anual de, aproximadamente, 13 GWh\/ano e R$ 3,5 milh\u00f5es\/ano. No ano de 2022, a gera\u00e7\u00e3o da usina foi de 453 GWh;<a id=\"_ftnref21\" href=\"#_ftn21\"><sup>[21]<\/sup><\/a> o desmatamento provocou redu\u00e7\u00e3o da capacidade de gera\u00e7\u00e3o em, aproximadamente, 2,8% na m\u00e9dia. Avaliando o demonstrativo de resultados da CTG Brasil S.A.,<a id=\"_ftnref22\" href=\"#_ftn22\"><sup>[22]<\/sup><\/a> detentora de 100% da UHE Salto, observa-se que a pot\u00eancia instalada do agregado de usinas controladas \u00e9 de 7.600 MW; dos quais, 1,5% correspondem \u00e0 UHE Salto. O lucro l\u00edquido referente a 2023 foi de, aproximadamente, R$ 2,7 bilh\u00f5es. Supondo que todas as usinas do grupo sofram a mesma influ\u00eancia de perda de gera\u00e7\u00e3o por desmatamento, o impacto no lucro l\u00edquido seria equivalente a, aproximadamente, R$ 232 milh\u00f5es, ou 8,7%.<a id=\"_ftnref23\" href=\"#_ftn23\"><sup>[23]<\/sup><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Para a UHE Salto do Rio Verdinho, como mostra o segundo gr\u00e1fico da Figura 5, as perdas identificadas s\u00e3o de 190 GWh e R$ 56 milh\u00f5es. Em bases anuais, tais valores correspondem a, em m\u00e9dia, 9 GWh\/ano e R$ 2,7 milh\u00f5es\/ano. Para a UHE S\u00e3o Domingos, no terceiro gr\u00e1fico da Figura 5, tais valores s\u00e3o de 74 GWh e R$ 27 milh\u00f5es, equivalentes a 3,5 GWh\/ano e R$ 1,3 milh\u00e3o\/ano. Apesar de n\u00e3o serem conhecidas as informa\u00e7\u00f5es detalhadas da produtividade dessas usinas, nota-se que as perdas s\u00e3o proporcionais \u00e0s suas respectivas pot\u00eancias instaladas, de forma que se pode conjecturar impactos semelhantes \u00e0queles encontrados para a UHE Salto.<\/p>\n\n\n\n<p>Como se pode observar, os efeitos do desmatamento na floresta Amaz\u00f4nica t\u00eam magnitude relevante para as UHEs na Bacia do Paran\u00e1, gerando um impacto em torno de 3% de perda de gera\u00e7\u00e3o e em torno de 10% de perda de lucro. Os n\u00fameros salientam que o desmatamento na floresta n\u00e3o provoca apenas impactos pontuais no bioma Amaz\u00f4nia e podem trazer consequ\u00eancias em grande escala para todo o sistema el\u00e9trico brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao focar nas regi\u00f5es do bioma Amaz\u00f4nia que mais influenciam a gera\u00e7\u00e3o hidrel\u00e9trica de cada usina, a Figura 6 aponta aquelas de maior impacto. Mais especificamente, o valor dos 5% de \u00e1rea de floresta mais relevante para a gera\u00e7\u00e3o de energia das usinas de S\u00e3o Domingos, Salto e Salto do Rio Verdinho chega, respectivamente, a R$ 60\/km\u00b2, R$ 143\/km\u00b2 e R$ 105\/km\u00b2. \u00c9 importante notar a diferen\u00e7a na ordem de grandeza entre tais valores e aquele encontrado para a UHE Teles Pires. O principal motivo est\u00e1 relacionado \u00e0 dimens\u00e3o das usinas. A capacidade instalada da UHE Teles Pires \u00e9 mais de 15 vezes superior \u00e0 da UHE Salto, a maior entre as tr\u00eas. Soma-se a isso o fato de que a UHE Teles Pires se encontra dentro do bioma Amaz\u00f4nia, potencialmente conferindo \u00e0s regi\u00f5es de floresta mais pr\u00f3ximas uma influ\u00eancia maior em sua opera\u00e7\u00e3o em compara\u00e7\u00e3o \u00e0s usinas localizadas na Bacia do Paran\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise da malha fundi\u00e1ria da \u00e1rea florestal que mais influencia a gera\u00e7\u00e3o de eletricidade das UHEs da Bacia do Paran\u00e1 revela que im\u00f3veis rurais privados, cadastrados no Sistema de Gest\u00e3o Fundi\u00e1ria (Sigef), aparecem como a categoria fundi\u00e1ria mais importante em todos os casos analisados, com aproximadamente 40% do impacto nas usinas, seguida por Terras Ind\u00edgenas, com aproximadamente 20% (Figura 6).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Figura 6.<\/strong> Distribui\u00e7\u00e3o de Categorias Fundi\u00e1rias das UHEs Salto, Salto do Rio Verdinho e S\u00e3o Domingos<\/p>\n\n\n\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"333\" class=\"wp-image-78261\" style=\"width: 800px;\" src=\"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/figura6pt.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/figura6pt.png 2200w, https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/figura6pt-300x125.png 300w, https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/figura6pt-1024x426.png 1024w, https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/figura6pt-1536x640.png 1536w, https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/figura6pt-2048x853.png 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Nota:<\/strong> A distribui\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria \u00e9 referente aos 25% de \u00e1rea de maior relev\u00e2ncia para a gera\u00e7\u00e3o de energia de cada usina. <strong>Fonte: <\/strong>CPI\/PUC-Rio com base nos dados de Copernicus-ERA5 (2023), ONS (2023), CCEE (2023) e MapBiomas (2023), 2024<\/em><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mecanismos de Conserva\u00e7\u00e3o e Restaura\u00e7\u00e3o por Categoria Fundi\u00e1ria<\/h2>\n\n\n\n<p>O estudo estabelece uma rela\u00e7\u00e3o direta entre o papel da floresta Amaz\u00f4nica e o potencial de gera\u00e7\u00e3o das usinas hidrel\u00e9tricas. Nesse sentido, identificar as categorias fundi\u00e1rias das \u00e1reas de maior interesse \u00e9 fundamental para entender quais s\u00e3o as pol\u00edticas p\u00fablicas mais relevantes e os instrumentos de financiamento que podem ajudar na conserva\u00e7\u00e3o e\/ou restaura\u00e7\u00e3o florestal dessas \u00e1reas.<\/p>\n\n\n\n<p>A regi\u00e3o Amaz\u00f4nica \u00e9 composta por um mosaico de categorias fundi\u00e1rias, incluindo: Terras Ind\u00edgenas (TIs); Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o (UCs); assentamentos da reforma agr\u00e1ria; florestas p\u00fablicas n\u00e3o destinadas e im\u00f3veis privados. Com exce\u00e7\u00e3o dos im\u00f3veis privados, todas as demais categorias fundi\u00e1rias s\u00e3o de dom\u00ednio p\u00fablico, assim, o poder p\u00fablico tem um papel relevante na gest\u00e3o dessas \u00e1reas. \u00d3rg\u00e3os de controle, incluindo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama), Pol\u00edcias Federal e estaduais, Ex\u00e9rcito e For\u00e7a Nacional de Seguran\u00e7a P\u00fablica, s\u00e3o essenciais nas a\u00e7\u00f5es de comando e controle contra desmatamentos ilegais. Al\u00e9m disso, a \u00e1rea pode ser de dom\u00ednio p\u00fablico federal ou estadual, trazendo uma camada extra de complexidade na governan\u00e7a de terras.<\/p>\n\n\n\n<p>As <strong>TIs<\/strong> despontam como a categoria fundi\u00e1ria de maior relev\u00e2ncia para a UHE Teles Pires e s\u00e3o tamb\u00e9m importantes para as UHEs da Bacia do Paran\u00e1. TIs s\u00e3o \u00e1reas de dom\u00ednio da Uni\u00e3o, mas de usufruto exclusivo dos povos ind\u00edgenas, que s\u00e3o os respons\u00e1veis diretos pela gest\u00e3o territorial e ambiental de suas terras. As TIs ocupam \u00e1reas muito extensas e, portanto, \u00e9 um grande desafio proteg\u00ea-las contra invas\u00f5es ilegais de terceiros. Nesse sentido, atividades de monitoramento e fiscaliza\u00e7\u00e3o pelo poder p\u00fablico s\u00e3o essenciais para a prote\u00e7\u00e3o da floresta. Al\u00e9m das a\u00e7\u00f5es de comando e controle, a demarca\u00e7\u00e3o de TIs e a Pol\u00edtica Nacional de Gest\u00e3o Territorial e Ambiental de Terras Ind\u00edgenas (PNGATI) devem ser fortalecidas. Como as TIs s\u00e3o as \u00e1reas mais bem conservadas, os ind\u00edgenas devem ser beneficiados por programas de Pagamento por Servi\u00e7os Ambientais (PSA), REDD+ e doa\u00e7\u00f5es para garantir o seu modo de vida e reprodu\u00e7\u00e3o cultural.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Floresta p\u00fablica n\u00e3o destinada<\/strong> \u00e9 a segunda categoria fundi\u00e1ria mais relevante para a UHE Teles Pires. Essas \u00e1reas apresentam um desafio muito maior de gest\u00e3o, pois, como n\u00e3o t\u00eam destina\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, s\u00e3o mais vulner\u00e1veis \u00e0 grilagem e desmatamento ilegal. Atualmente, a C\u00e2mara T\u00e9cnica de Destina\u00e7\u00e3o e Regulariza\u00e7\u00e3o Fundi\u00e1ria de Terras P\u00fablicas Federais Rurais, sob a coordena\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Agr\u00e1rio e Agricultura Familiar (MDA), \u00e9 a inst\u00e2ncia respons\u00e1vel pela destina\u00e7\u00e3o das \u00e1reas federais, enquanto \u00f3rg\u00e3os de terras dos estados s\u00e3o respons\u00e1veis pela gest\u00e3o das \u00e1reas estaduais. A conserva\u00e7\u00e3o da floresta depender\u00e1 da destina\u00e7\u00e3o que lhe for dada; se for destinada para titula\u00e7\u00e3o privada, h\u00e1 um risco maior de desmatamento para a pr\u00e1tica de atividades produtivas. Nesse sentido, pol\u00edticas de desenvolvimento rural sustent\u00e1vel e instrumentos financeiros para garantir a conserva\u00e7\u00e3o ser\u00e3o fundamentais. A destina\u00e7\u00e3o de terras p\u00fablicas para a cria\u00e7\u00e3o de UCs, regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria de Povos e Comunidades Tradicionais (PCT) e concess\u00e3o florestal de manejo sustent\u00e1vel ou restaura\u00e7\u00e3o poderia, em princ\u00edpio, garantir uma melhor conserva\u00e7\u00e3o da \u00e1rea.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Im\u00f3veis rurais privados<\/strong>, cadastrados no Sigef, aparecem como a categoria fundi\u00e1ria mais importante para as UHEs da Bacia do Paran\u00e1. A conserva\u00e7\u00e3o e restaura\u00e7\u00e3o florestal nessas \u00e1reas depende, essencialmente, da implementa\u00e7\u00e3o do C\u00f3digo Florestal que imp\u00f5e obriga\u00e7\u00e3o de conserva\u00e7\u00e3o e\/ou recupera\u00e7\u00e3o dos passivos de \u00c1reas de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente (APPs) e Reserva Legal (RL). Linhas de financiamento especiais para agricultura sustent\u00e1vel, incluindo manejo de pastagens, Sistemas Agroflorestais (SAFs) e integra\u00e7\u00e3o lavoura-pecu\u00e1ria-floresta (iLPF) podem ajudar a fazer uma transi\u00e7\u00e3o para um modelo de produ\u00e7\u00e3o mais alinhado \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, instrumentos econ\u00f4micos para conservar e restaurar a floresta, como PSA e mercado de carbono, ser\u00e3o fundamentais para incentivar n\u00e3o s\u00f3 o cumprimento do C\u00f3digo Florestal, mas sobretudo para ir al\u00e9m do que \u00e9 exigido por lei.<\/p>\n\n\n\n<p>As <strong>UCs<\/strong> aparecem como a terceira categoria mais importante tanto para a UHE Teles Pires quanto para as UHEs da Bacia do Paran\u00e1. Pol\u00edticas e estrat\u00e9gias de conserva\u00e7\u00e3o e\/ou restaura\u00e7\u00e3o florestal nas UCs devem ser diferenciadas, dependendo se s\u00e3o de prote\u00e7\u00e3o integral ou de uso sustent\u00e1vel. <strong>UCs de prote\u00e7\u00e3o integral<\/strong> dependem, essencialmente, de a\u00e7\u00f5es de comando e controle para combater o desmatamento. J\u00e1 a restaura\u00e7\u00e3o de \u00e1reas desmatadas pode ser feita por meio de parceria com o setor privado atrav\u00e9s de concess\u00e3o florestal para restauro ou outros modelos de parceria. Nas <strong>UCs de uso sustent\u00e1vel<\/strong>, onde h\u00e1 presen\u00e7a de povos e comunidades tradicionais e agricultores familiares, a conserva\u00e7\u00e3o e restaura\u00e7\u00e3o florestal depender\u00e1 n\u00e3o s\u00f3 de pol\u00edticas p\u00fablicas de conserva\u00e7\u00e3o, mas sobretudo de inclus\u00e3o rural e produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel. Pol\u00edticas de assist\u00eancia t\u00e9cnica para o desenvolvimento de cadeias de produtos compat\u00edveis com a floresta devem ser priorizadas. Al\u00e9m disso, mecanismos que remunerem a conserva\u00e7\u00e3o, como PSA, REDD+ e mercado de carbono, tamb\u00e9m podem ter um papel importante.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, os <strong>assentamentos<\/strong> s\u00e3o a categoria fundi\u00e1ria menos relevante para as hidrel\u00e9tricas deste estudo, mas ainda assim t\u00eam import\u00e2ncia no contexto amaz\u00f4nico. Os assentamentos podem ser divididos em duas categorias: projetos de assentamento tradicional e projetos de assentamento ambientalmente diferenciados. Os projetos de assentamento tradicional s\u00e3o divididos em pequenos lotes e s\u00e3o ocupados por agricultores familiares. O C\u00f3digo Florestal \u00e9 a principal pol\u00edtica de conserva\u00e7\u00e3o e restaura\u00e7\u00e3o nessas \u00e1reas, mas sua implementa\u00e7\u00e3o depende da assist\u00eancia do poder p\u00fablico. Pol\u00edticas de inclus\u00e3o rural e de agricultura sustent\u00e1vel tamb\u00e9m s\u00e3o essenciais para alinhar produ\u00e7\u00e3o com conserva\u00e7\u00e3o. Os projetos de assentamento ambientalmente diferenciados s\u00e3o similares \u00e0s UCs de uso sustent\u00e1vel, possuem \u00e1reas bem mais extensas que os projetos de assentamento tradicional e s\u00e3o destinados, principalmente, para PCT. Nesse sentido, se aplicam as mesmas observa\u00e7\u00f5es e recomenda\u00e7\u00f5es que foram mencionadas nas UCs de uso sustent\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-background\" style=\"background-color:#dae7e8\"><strong>Implica\u00e7\u00f5es para Pol\u00edtica P\u00fablica<\/strong><br><br>Os resultados desta publica\u00e7\u00e3o indicam que os impactos do desmatamento n\u00e3o est\u00e3o limitados ao bioma Amaz\u00f4nia ou \u00e0s suas fronteiras, sendo tamb\u00e9m observados a quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia da regi\u00e3o. As evid\u00eancias sugerem que o desmatamento influencia significativamente na capacidade de gera\u00e7\u00e3o hidrel\u00e9trica do pa\u00eds, um patrim\u00f4nio central e estrat\u00e9gico para o desenvolvimento econ\u00f4mico e social. A manuten\u00e7\u00e3o da floresta em p\u00e9, portanto, pode proporcionar uma maior capacidade de gera\u00e7\u00e3o de energia, com impacto em escala nacional.&nbsp;<br><br>A partir da \u00f3tica do setor privado, a redu\u00e7\u00e3o da capacidade de gera\u00e7\u00e3o de eletricidade individual das usinas est\u00e1 diretamente vinculada ao menor fluxo de receita, potencialmente afetando os lucros dos empreendimentos e comprometendo sua sustentabilidade financeira.<br><br>Do ponto de vista p\u00fablico, os efeitos observados t\u00eam o potencial de impactar de forma significativa a matriz hidrel\u00e9trica nacional, prejudicando a seguran\u00e7a energ\u00e9tica do pa\u00eds, dada a menor capacidade de o Sistema Interligado Nacional (SIN) suprir a demanda de eletricidade nacional. Como consequ\u00eancia, o despacho em menor escala das usinas de base h\u00eddrica pode levar a maior demanda por usinas t\u00e9rmicas, que, al\u00e9m de possu\u00edrem maior custo de opera\u00e7\u00e3o, elevando o pre\u00e7o da energia el\u00e9trica, emitem mais gases de efeito estufa e contribuem para as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<br><br>Diante desse cen\u00e1rio, fica n\u00edtida a necessidade de implementar pol\u00edticas de combate e controle do desmatamento e da degrada\u00e7\u00e3o na floresta e de promo\u00e7\u00e3o do restauro das \u00e1reas afetadas. Os resultados dos estudos de caso salientam tamb\u00e9m a import\u00e2ncia de o setor el\u00e9trico apoiar tais pol\u00edticas, uma vez que s\u00e3o diretamente afetados pelas consequ\u00eancias do desmatamento aqui demonstradas.<br><br>De acordo com o Plano Decenal de Expans\u00e3o de Energia (PDE) para 2031, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energ\u00e9tica (EPE),<a id=\"_ftnref24\" href=\"#_ftn24\"><sup>[24]<\/sup><\/a> o pa\u00eds enfrenta um panorama desafiador no que diz respeito \u00e0 disponibilidade h\u00eddrica. A entidade, ent\u00e3o, vem aprimorando seus modelos para considerar cen\u00e1rios de menor oferta h\u00eddrica e poss\u00edveis altera\u00e7\u00f5es nos regimes hidrol\u00f3gicos observados no pa\u00eds, aproximando-os da realidade operacional do sistema. A EPE sugere, inclusive, o aprofundamento do conhecimento das condi\u00e7\u00f5es pluviom\u00e9tricas em \u00e2mbito nacional, de maneira que sejam criados cen\u00e1rios futuros que tomem como base as poss\u00edveis rela\u00e7\u00f5es entre chuva e vaz\u00e3o nos rios que alimentam a matriz el\u00e9trica brasileira.<br><br>Nesse sentido, \u00e9 crucial o mapeamento dos efeitos de desmatamento na matriz el\u00e9trica brasileira, com indica\u00e7\u00e3o das principais \u00e1reas da floresta Amaz\u00f4nica que contribuem para a manuten\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a energ\u00e9tica no pa\u00eds. Para identificar as pol\u00edticas e os mecanismos de financiamento mais efetivos para a conserva\u00e7\u00e3o e\/ou restaura\u00e7\u00e3o dessas \u00e1reas, \u00e9 vital considerar os perfis fundi\u00e1rios espec\u00edficos para que haja uma adequa\u00e7\u00e3o \u00e0s necessidades de cada contexto.<br><br>Dada a relev\u00e2ncia do nexo entre desmatamento e gera\u00e7\u00e3o hidrel\u00e9trica, \u00e9 fundamental o desenvolvimento de novos estudos na \u00e1rea, expandindo a an\u00e1lise para outras regi\u00f5es do pa\u00eds e entendendo as poss\u00edveis intera\u00e7\u00f5es com as din\u00e2micas clim\u00e1ticas, como, por exemplo, a influ\u00eancia dos fen\u00f4menos El Ni\u00f1o\/La Ni\u00f1a ou os efeitos de sazonalidade de chuva. A partir do levantamento robusto de evid\u00eancias sobre o nexo causal apresentado neste trabalho e o mapeamento das \u00e1reas mais significativas para os efeitos do desmatamento, ser\u00e1 poss\u00edvel construir, de maneira mais precisa e abrangente, pol\u00edticas direcionadas a quest\u00f5es tanto ambientais quanto de seguran\u00e7a energ\u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Metodologia<\/h2>\n\n\n\n<p>Nesta se\u00e7\u00e3o, \u00e9 detalhada a metodologia adotada para estimar a influ\u00eancia do desmatamento na gera\u00e7\u00e3o hidrel\u00e9trica. Para investigar a rela\u00e7\u00e3o entre desmatamento e precipita\u00e7\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio definir, em primeiro lugar, a regi\u00e3o geogr\u00e1fica onde se tem interesse de investigar a varia\u00e7\u00e3o de chuva. A partir desse ponto, s\u00e3o utilizados dados de sat\u00e9lite<a id=\"_ftnref25\" href=\"#_ftn25\"><sup>[25]<\/sup><\/a> que fornecem a velocidade e a dire\u00e7\u00e3o das correntes de ar observadas em um certo ponto geogr\u00e1fico, em hor\u00e1rio e altitude determinados.<\/p>\n\n\n\n<p>Com base nessas informa\u00e7\u00f5es, pode-se estimar em que ponto geogr\u00e1fico aquela corrente de ar estava em um passado recente, ou seja, pouco antes de chegar ao ponto de interesse. Conhecida essa localiza\u00e7\u00e3o no passado, pode-se repetir o processo e encontrar o \u201cnovo\u201d ponto de partida de onde saiu a corrente de ar. Ao se repetir esse procedimento diversas vezes, acaba-se por encontrar os pontos percorridos por aquela corrente ao longo de um per\u00edodo determinado. Identifica-se, assim, todo o percurso realizado por determinada massa de ar que, em determinado momento, atravessou um ponto de interesse. Chamaremos tal percurso de <em>trajet\u00f3ria retroativa<\/em>. Para o prop\u00f3sito deste estudo, os pontos de partida de interesse s\u00e3o aqueles onde \u00e9 relevante conhecer o padr\u00e3o de chuvas, dado que essas podem influenciar a vaz\u00e3o do rio e, por conseguinte, a gera\u00e7\u00e3o de energia em determinada usina.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma vez conhecida a trajet\u00f3ria, \u00e9 poss\u00edvel identificar as por\u00e7\u00f5es de terra por onde passou e, logo, apontar se foram regi\u00f5es de floresta, desmatadas, urbanas etc. Consequentemente, pode-se contabilizar a quantidade de floresta atravessada por tais massas de ar. H\u00e1 rela\u00e7\u00e3o positiva e significativa entre a quantidade de floresta ao longo da trajet\u00f3ria retroativa atravessada por determinada corrente de ar e a incid\u00eancia de chuva no ponto de interesse.<a id=\"_ftnref26\" href=\"#_ftn26\"><sup>[26]<\/sup><\/a> Com isso, sabe-se que, a partir do desmatamento \u2014 e da consequente perda de vegeta\u00e7\u00e3o capaz de recarregar a atmosfera com umidade \u2014, tem-se a redu\u00e7\u00e3o da precipita\u00e7\u00e3o no ponto de interesse. Fica estabelecido, assim, o primeiro v\u00ednculo do nexo causal: desmatamento exerce influ\u00eancia na precipita\u00e7\u00e3o ao longo da trajet\u00f3ria de uma massa de ar.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o segundo v\u00ednculo, Ara\u00fajo<a id=\"_ftnref27\" href=\"#_ftn27\"><sup>[27]<\/sup><\/a> investiga como se relacionam a precipita\u00e7\u00e3o e a vaz\u00e3o do rio Teles Pires na localiza\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria usina \u2014 no caso, o ponto de interesse. Utilizando dados mensais de vaz\u00e3o do rio na pr\u00f3pria usina, disponibilizados pelo Operador Nacional do Sistema El\u00e9trico (ONS),<a id=\"_ftnref28\" href=\"#_ftn28\"><sup>[28]<\/sup><\/a> e os dados de chuva acumulados durante quatro meses, obtidos a partir de medi\u00e7\u00f5es de sat\u00e9lite,<a id=\"_ftnref29\" href=\"#_ftn29\"><sup>[29]<\/sup><\/a> concluiu que h\u00e1 uma correla\u00e7\u00e3o positiva entre os dois: mais chuva est\u00e1 relacionada com maior vaz\u00e3o dos rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Finalmente, o terceiro (e \u00faltimo) v\u00ednculo est\u00e1 associado \u00e0 influ\u00eancia da vaz\u00e3o do rio na gera\u00e7\u00e3o hidrel\u00e9trica na usina, que se d\u00e1 como consequ\u00eancia direta da energia potencial gravitacional armazenada na \u00e1gua do rio. Supondo que a altura da queda d\u2019\u00e1gua se mantenha aproximadamente constante, a varia\u00e7\u00e3o da pot\u00eancia gerada na usina ser\u00e1 resultante, em larga medida, da varia\u00e7\u00e3o da vaz\u00e3o do rio.<a id=\"_ftnref30\" href=\"#_ftn30\"><sup>[30]<\/sup><\/a> De fato, os resultados encontrados por Ara\u00fajo corroboram essa afirma\u00e7\u00e3o, apontando para uma elasticidade de aproximadamente 1 entre as grandezas.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir do nexo desmatamento-gera\u00e7\u00e3o de energia, \u00e9 poss\u00edvel apontar a influ\u00eancia da (aus\u00eancia de) floresta na (perda de) gera\u00e7\u00e3o hidrel\u00e9trica. Com isso, pode-se realizar um exerc\u00edcio contrafactual em que se busca identificar o quanto de eletricidade teria sido gerado a mais caso n\u00e3o tivesse havido desmatamento. Adicionalmente, a partir da \u00f3tica da sustentabilidade financeira do empreendimento \u2014 e uma vez que a receita da usina \u00e9 resultante direta da quantidade de energia gerada e de seu pre\u00e7o (PLD) \u2014, pode-se estimar a receita que a usina teria obtido, caso n\u00e3o tivesse havido desmatamento nas regi\u00f5es de floresta por onde passam as correntes de ar que influenciam a gera\u00e7\u00e3o de energia, de acordo com o nexo causal estabelecido acima.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma vez que \u00e9 poss\u00edvel rastrear as regi\u00f5es por onde as correntes de ar passaram, pode-se investigar quais delas exercem maior influ\u00eancia no regime de chuvas de um determinado ponto de interesse. Com isso, e a partir do conhecimento das perdas energ\u00e9tica e financeira resultantes do desmatamento, podem ser identificadas regi\u00f5es de floresta priorit\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn1\" href=\"#_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O estudo de caso da UHE Teles Pires come\u00e7ou a ser desenvolvido no CPI\/PUC-Rio em 2020 por Rafael Ara\u00fajo, ent\u00e3o analista s\u00eanior. Os resultados da pesquisa foram previamente publicados em janeiro de 2024 na revista Energy Economics. Na atual publica\u00e7\u00e3o, o CPI\/PUC-Rio apresenta os resultados na \u00edntegra do projeto de pesquisa \u201cDesmatamento e Gera\u00e7\u00e3o de Energia.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn2\" href=\"#_ftnref2\"><sup>[2]<\/sup><\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; EPE. <em>Anu\u00e1rio Estat\u00edstico de Energia El\u00e9trica 2024: Ano base 2023<\/em>. 2024. <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3BdxE0D\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">bit.ly\/3BdxE0D<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn3\" href=\"#_ftnref3\"><sup>[3]<\/sup><\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Nobre, Ant\u00f4nio D. <em>The Future Climate of Amazonia: scientific assessment report<\/em>. S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos: Articulaci\u00f3n Regional Amaz\u00f4nica, 2014. <a href=\"http:\/\/bit.ly\/4gxLzid\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">bit.ly\/4gxLzid<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn4\" href=\"#_ftnref4\"><sup>[4]<\/sup><\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Marengo, Jos\u00e9 A. et al. \u201cChanges in Climate and Land Use Over the Amazon Region: Current and Future Variability and Trends\u201d. Front. <em>Earth Sci<\/em> 6 (2018). <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3UOflVT\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">bit.ly\/3UOflVT<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn5\" href=\"#_ftnref5\"><sup>[5]<\/sup><\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Marengo, Jos\u00e9 A. et al. \u201cClimatology of the low-level jet east of the Andes as derived from the ncep-ncar reanalyses: characteristics and temporal variability.\u201d <em>Journal of climate<\/em> 17, n\u00ba 12 (2004): 2261-2280.<br><a href=\"http:\/\/bit.ly\/3ZArXnr\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">bit.ly\/3ZArXnr<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn6\" href=\"#_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ara\u00fajo, Rafael e Jo\u00e3o Mour\u00e3o. <em>O Efeito Domin\u00f3 da Amaz\u00f4nia: Como o Desmatamento Pode Desencadear uma Degrada\u00e7\u00e3o Generalizada<\/em>. Rio de Janeiro: Climate Policy Initiative, 2023. <a href=\"https:\/\/bit.ly\/Efeito-Domino\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">bit.ly\/Efeito-Domino<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn7\" href=\"#_ftnref7\"><sup>[7]<\/sup><\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ara\u00fajo, Rafael. \u201cThe value of tropical forests to hydropower\u201d. <em>Energy Economics<\/em> 129 (2024). <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3ys5Cgl\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">bit.ly\/3ys5Cgl<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn8\" href=\"#_ftnref8\"><sup>[8]<\/sup><\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Cabus, Pieter. \u201cRiver flow prediction through rainfall-runoff modelling with a probability-distributed model (PDM) in Flanders, Belgium\u201d. Agricultural Water Management 95, n\u00ba 7 (2008): 859-868. <a href=\"https:\/\/bit.ly\/44Tcu2H\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">bit.ly\/44Tcu2H<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn9\" href=\"#_ftnref9\"><sup>[9]<\/sup><\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Makungo, Rachel et al. \u201cRainfall-runoff modelling approach for ungauged catchments: A case study on Nzhelele River sub-quaternary catchment\u201d. <em>Physics and Chemistry of the Earth<\/em> 35, n\u00ba 13-14 (2010): 596-607. <a href=\"https:\/\/bit.ly\/4avc9UZ\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">bit.ly\/4avc9UZ<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn10\" href=\"#_ftnref10\"><sup>[10]<\/sup><\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Usina Hidrel\u00e9trica Teles Pires. <em>Sobre a UHE Teles Pires<\/em>. 2024. Data de acesso: 10 de maio de 2024.<br><a href=\"https:\/\/bit.ly\/3KcqBqc\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">bit.ly\/3KcqBqc<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref11\" id=\"_ftn11\"><sup>[11]<\/sup><\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mais detalhes sobre a estrat\u00e9gia de modelagem podem ser encontrados na se\u00e7\u00e3o de Metodologia.<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn12\" href=\"#_ftnref12\"><sup>[12]<\/sup><\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ara\u00fajo, Rafael. \u201cThe value of tropical forests to hydropower\u201d. <em>Energy Economics<\/em> 129 (2024). <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3ys5Cgl\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">bit.ly\/3ys5Cgl<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn13\" href=\"#_ftnref13\"><sup>[13]<\/sup><\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Ara\u00fajo expande a an\u00e1lise para analisar o impacto da perda de gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica, caso fosse compensada pelo despacho de usinas t\u00e9rmicas, como a carv\u00e3o ou g\u00e1s natural. Ao se considerar o pre\u00e7o de US$ 50\/tCOe (R$ 280\/tCOe), a perda de gera\u00e7\u00e3o hidrel\u00e9trica por conta do desmatamento implicaria na perda extra de US$ 17,4 milh\u00f5es (R$ 97 milh\u00f5es). Para saber mais: Ara\u00fajo, Rafael. \u201cThe value of tropical forests to hydropower\u201d. <em>Energy Economics<\/em> 129 (2024). <a href=\"http:\/\/bit.ly\/3ys5Cgl.\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">bit.ly\/3ys5Cgl<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn14\" href=\"#_ftnref14\"><sup>[14]<\/sup><\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ara\u00fajo, Rafael. \u201cThe value of tropical forests to hydropower\u201d. <em>Energy Economics<\/em> 129 (2024). <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3ys5Cgl\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">bit.ly\/3ys5Cgl<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn15\" href=\"#_ftnref15\"><sup>[15]<\/sup><\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Este estudo de caso foi realizado em coopera\u00e7\u00e3o com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES).<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn16\" href=\"#_ftnref16\"><sup>[16]<\/sup><\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; CTG Brasil. <em>UHE Salto<\/em>. 2024. Data de acesso: 10 de maio de 2024. <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3yqxLoe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">bit.ly\/3yqxLoe<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn17\" href=\"#_ftnref17\"><sup>[17]<\/sup><\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; CBA. <em>Nossos Ativos<\/em>. sd. Data de acesso: 10 de maio de 2024. <a href=\"http:\/\/bit.ly\/3yTZnlS\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">bit.ly\/3yTZnlS<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref18\" id=\"_ftn18\"><sup>[18]<\/sup><\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cabe ressaltar que o Rio Verde (GO) e o Rio Verde (MS) s\u00e3o rios diferentes, apesar de terem o mesmo nome.<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn19\" href=\"#_ftnref19\"><sup>[19]<\/sup><\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Eletrobras \u2013 CGT Eletrosul. <em>Gera\u00e7\u00e3o<\/em>. sd. Data de acesso: 10 de maio de 2024. <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3V7wMSI\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">bit.ly\/3V7wMSI<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref20\" id=\"_ftn20\"><sup>[20]<\/sup><\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A queda na receita \u00e9 resultante da perda energ\u00e9tica multiplicada pelo PLD do per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn21\" href=\"#_ftnref21\"><sup>[21]<\/sup><\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Informa\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel no site da CTG Brasil, detentora de 100% da usina. Para saber mais: CTG Brasil. UHE Salto. 2024. Data de acesso: 10 de maio de 2024. <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3yqxLoe\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">bit.ly\/3yqxLoe<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn22\" href=\"#_ftnref22\"><sup>[22]<\/sup><\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; CTG Brasil. <em>Demonstra\u00e7\u00f5es Financeiras \u2013 4T23<\/em>. 2024. Data de acesso: 10 de maio de 2024. <a href=\"http:\/\/bit.ly\/3RjlpVh\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">bit.ly\/3RjlpVh<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref23\" id=\"_ftn23\"><sup>[23]<\/sup><\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Para o ano de 2022, cujo lucro foi de R$ 2,28 bilh\u00f5es, a perda representaria cerca de 10,2%.<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn24\" href=\"#_ftnref24\"><sup>[24]<\/sup><\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; MME e EPE. <em>Plano Decenal de Expans\u00e3o de Energia 2031<\/em>. Bras\u00edlia, 2022. <a href=\"http:\/\/bit.ly\/3VvXR1X\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">bit.ly\/3VvXR1X<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn25\" href=\"#_ftnref25\"><sup>[25]<\/sup><\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Hersbach, Hans et al. <em>ERA5 hourly data on single levels from 1940 to present<\/em>. Copernicus Climate Change Service (C3S), Climate Data Store (CDS), 2023. <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3UTUFeW\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">bit.ly\/3UTUFeW<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn26\" href=\"#_ftnref26\"><sup>[26]<\/sup><\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ara\u00fajo, Rafael. \u201cThe value of tropical forests to hydropower\u201d. <em>Energy Economics<\/em> 129 (2024). <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3ys5Cgl\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">bit.ly\/3ys5Cgl<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn27\" href=\"#_ftnref27\"><sup>[27]<\/sup><\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ara\u00fajo, Rafael. \u201cThe value of tropical forests to hydropower\u201d. <em>Energy Economics<\/em> 129 (2024). <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3ys5Cgl\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">bit.ly\/3ys5Cgl<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn28\" href=\"#_ftnref28\"><sup>[28]<\/sup><\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;ONS. <em>Dados Abertos \u2013 Dados hidr\u00e1ulicos por reservat\u00f3rio \u2013 base di\u00e1ria<\/em>. 2022. Data de acesso: 04 de julho de 2023. <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3UPjmcA\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">bit.ly\/3UPjmcA<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn29\" href=\"#_ftnref29\"><sup>[29]<\/sup><\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Hersbach, Hans et al. <em>ERA5 hourly data on single levels from 1940 to present<\/em>. Copernicus Climate Change Service (C3S), Climate Data Store (CDS), 2023. <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3UTUFeW\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">bit.ly\/3UTUFeW<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><a id=\"_ftn30\" href=\"#_ftnref30\"><sup>[30]<\/sup><\/a>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Cabe mencionar que, de acordo com a demanda, a opera\u00e7\u00e3o da usina pode atuar na vaz\u00e3o de \u00e1gua que passa efetivamente pelas turbinas, afetando parcialmente a influ\u00eancia direta da vaz\u00e3o do rio na pot\u00eancia gerada.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><em>Este relat\u00f3rio contou com apoio financeiro de Instituto Clima e Sociedade (iCS), Instituto Ita\u00fasa e Norway\u2019s International Climate and Forest Initiative (NICFI).<\/em><br><em>Os autores gostariam de agradecer a Salo Coslovsky e Augusto Monnerat pelo suporte para pesquisa; Juliano Assun\u00e7\u00e3o, Cristina Leme Lopes, Beto Ver\u00edssimo e Natalie Hoover El Rashidy pelos coment\u00e1rios e sugest\u00f5es; Rafael Ara\u00fajo, Eduardo Minsky e grupo emp\u00edrico do CPI\/PUC-Rio pelas discuss\u00f5es; Giovanna de Miranda e Camila Calado pela revis\u00e3o e edi\u00e7\u00e3o do texto; e Meyrele Nascimento e Nina Oswald Vieira pela elabora\u00e7\u00e3o das figuras e formata\u00e7\u00e3o do texto.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CPI\/PUC-Rio e Amaz\u00f4nia 2030 analisam o impacto das altera\u00e7\u00f5es dos padr\u00f5es de chuva, causadas pelo desmatamento, na gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica nacional. <\/p>\n","protected":false},"author":233,"featured_media":78295,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":true},"programs":[1845,1241],"regions":[1242,1377],"topics":[1800,1288,1306,1337,1243],"collaborations":[],"class_list":["post-73622","cpi_publications","type-cpi_publications","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","programs-amazonia-2030","programs-brazil-policy-center","regions-amazonia","regions-brasil","topics-desmatamento","topics-eficiencia-energetica","topics-energia-hidreletrica","topics-energia-renovavel","topics-uso-da-terra"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.3 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>(Des)matando as Hidrel\u00e9tricas: A Amea\u00e7a do Desmatamento na Amaz\u00f4nia para a Energia do Brasil - CPI<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/pt-br\/publication\/desmatando-as-hidreletricas-a-ameaca-do-desmatamento-na-amazonia-para-a-energia-do-brasil\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"(Des)matando as Hidrel\u00e9tricas: A Amea\u00e7a do Desmatamento na Amaz\u00f4nia para a Energia do Brasil - CPI\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"CPI\/PUC-Rio e Amaz\u00f4nia 2030 analisam o impacto das altera\u00e7\u00f5es dos padr\u00f5es de chuva, causadas pelo desmatamento, na gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica nacional.\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/pt-br\/publication\/desmatando-as-hidreletricas-a-ameaca-do-desmatamento-na-amazonia-para-a-energia-do-brasil\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"CPI\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/ClimatePolicyInitiative\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2026-04-19T08:45:16+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Asset-1-1024x724.png\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"1024\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"724\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/png\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@climatepolicy\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"25 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.climatepolicyinitiative.org\\\/pt-br\\\/publication\\\/desmatando-as-hidreletricas-a-ameaca-do-desmatamento-na-amazonia-para-a-energia-do-brasil\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/www.climatepolicyinitiative.org\\\/pt-br\\\/publication\\\/desmatando-as-hidreletricas-a-ameaca-do-desmatamento-na-amazonia-para-a-energia-do-brasil\\\/\",\"name\":\"(Des)matando as Hidrel\u00e9tricas: A Amea\u00e7a do Desmatamento na Amaz\u00f4nia para a Energia do Brasil - CPI\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.climatepolicyinitiative.org\\\/pt-br\\\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.climatepolicyinitiative.org\\\/pt-br\\\/publication\\\/desmatando-as-hidreletricas-a-ameaca-do-desmatamento-na-amazonia-para-a-energia-do-brasil\\\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.climatepolicyinitiative.org\\\/pt-br\\\/publication\\\/desmatando-as-hidreletricas-a-ameaca-do-desmatamento-na-amazonia-para-a-energia-do-brasil\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/www.climatepolicyinitiative.org\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2024\\\/09\\\/Asset-1.png\",\"datePublished\":\"2024-10-17T12:22:38+00:00\",\"dateModified\":\"2026-04-19T08:45:16+00:00\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.climatepolicyinitiative.org\\\/pt-br\\\/publication\\\/desmatando-as-hidreletricas-a-ameaca-do-desmatamento-na-amazonia-para-a-energia-do-brasil\\\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/www.climatepolicyinitiative.org\\\/pt-br\\\/publication\\\/desmatando-as-hidreletricas-a-ameaca-do-desmatamento-na-amazonia-para-a-energia-do-brasil\\\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.climatepolicyinitiative.org\\\/pt-br\\\/publication\\\/desmatando-as-hidreletricas-a-ameaca-do-desmatamento-na-amazonia-para-a-energia-do-brasil\\\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\\\/\\\/www.climatepolicyinitiative.org\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2024\\\/09\\\/Asset-1.png\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/www.climatepolicyinitiative.org\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2024\\\/09\\\/Asset-1.png\",\"width\":2510,\"height\":1775},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.climatepolicyinitiative.org\\\/pt-br\\\/publication\\\/desmatando-as-hidreletricas-a-ameaca-do-desmatamento-na-amazonia-para-a-energia-do-brasil\\\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"Home\",\"item\":\"https:\\\/\\\/www.climatepolicyinitiative.org\\\/pt-br\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Publications\",\"item\":\"https:\\\/\\\/www.climatepolicyinitiative.org\\\/publication\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":3,\"name\":\"(Des)matando as Hidrel\u00e9tricas: A Amea\u00e7a do Desmatamento na Amaz\u00f4nia para a Energia do Brasil\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.climatepolicyinitiative.org\\\/pt-br\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/www.climatepolicyinitiative.org\\\/pt-br\\\/\",\"name\":\"CPI\",\"description\":\"Climate Policy Initiative works to improve the most important energy and land use policies around the world, with a particular focus on finance.\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.climatepolicyinitiative.org\\\/pt-br\\\/#organization\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/www.climatepolicyinitiative.org\\\/pt-br\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Organization\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.climatepolicyinitiative.org\\\/pt-br\\\/#organization\",\"name\":\"Climate Policy Initiative\",\"url\":\"https:\\\/\\\/www.climatepolicyinitiative.org\\\/pt-br\\\/\",\"logo\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.climatepolicyinitiative.org\\\/pt-br\\\/#\\\/schema\\\/logo\\\/image\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/www.climatepolicyinitiative.org\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2021\\\/07\\\/CPI_logo_cmyk_transparent.png\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/www.climatepolicyinitiative.org\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2021\\\/07\\\/CPI_logo_cmyk_transparent.png\",\"width\":1728,\"height\":720,\"caption\":\"Climate Policy Initiative\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/www.climatepolicyinitiative.org\\\/pt-br\\\/#\\\/schema\\\/logo\\\/image\\\/\"},\"sameAs\":[\"https:\\\/\\\/www.facebook.com\\\/ClimatePolicyInitiative\",\"https:\\\/\\\/x.com\\\/climatepolicy\",\"https:\\\/\\\/www.linkedin.com\\\/company\\\/climate-policy-initiative\\\/?lipi=urn:li:page:d_flagship3_search_srp_all;GvyQ8DliSYaW9eZhdq8RBQ==\",\"https:\\\/\\\/www.youtube.com\\\/channel\\\/UCE8V0iDgBU8mreZdBegVCcA\",\"https:\\\/\\\/en.wikipedia.org\\\/wiki\\\/Climate_Policy_Initiative\"]}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"(Des)matando as Hidrel\u00e9tricas: A Amea\u00e7a do Desmatamento na Amaz\u00f4nia para a Energia do Brasil - CPI","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/pt-br\/publication\/desmatando-as-hidreletricas-a-ameaca-do-desmatamento-na-amazonia-para-a-energia-do-brasil\/","og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"(Des)matando as Hidrel\u00e9tricas: A Amea\u00e7a do Desmatamento na Amaz\u00f4nia para a Energia do Brasil - CPI","og_description":"CPI\/PUC-Rio e Amaz\u00f4nia 2030 analisam o impacto das altera\u00e7\u00f5es dos padr\u00f5es de chuva, causadas pelo desmatamento, na gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica nacional.","og_url":"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/pt-br\/publication\/desmatando-as-hidreletricas-a-ameaca-do-desmatamento-na-amazonia-para-a-energia-do-brasil\/","og_site_name":"CPI","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/ClimatePolicyInitiative","article_modified_time":"2026-04-19T08:45:16+00:00","og_image":[{"width":1024,"height":724,"url":"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Asset-1-1024x724.png","type":"image\/png"}],"twitter_card":"summary_large_image","twitter_site":"@climatepolicy","twitter_misc":{"Est. tempo de leitura":"25 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/pt-br\/publication\/desmatando-as-hidreletricas-a-ameaca-do-desmatamento-na-amazonia-para-a-energia-do-brasil\/","url":"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/pt-br\/publication\/desmatando-as-hidreletricas-a-ameaca-do-desmatamento-na-amazonia-para-a-energia-do-brasil\/","name":"(Des)matando as Hidrel\u00e9tricas: A Amea\u00e7a do Desmatamento na Amaz\u00f4nia para a Energia do Brasil - CPI","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/pt-br\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/pt-br\/publication\/desmatando-as-hidreletricas-a-ameaca-do-desmatamento-na-amazonia-para-a-energia-do-brasil\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/pt-br\/publication\/desmatando-as-hidreletricas-a-ameaca-do-desmatamento-na-amazonia-para-a-energia-do-brasil\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Asset-1.png","datePublished":"2024-10-17T12:22:38+00:00","dateModified":"2026-04-19T08:45:16+00:00","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/pt-br\/publication\/desmatando-as-hidreletricas-a-ameaca-do-desmatamento-na-amazonia-para-a-energia-do-brasil\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/pt-br\/publication\/desmatando-as-hidreletricas-a-ameaca-do-desmatamento-na-amazonia-para-a-energia-do-brasil\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/pt-br\/publication\/desmatando-as-hidreletricas-a-ameaca-do-desmatamento-na-amazonia-para-a-energia-do-brasil\/#primaryimage","url":"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Asset-1.png","contentUrl":"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Asset-1.png","width":2510,"height":1775},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/pt-br\/publication\/desmatando-as-hidreletricas-a-ameaca-do-desmatamento-na-amazonia-para-a-energia-do-brasil\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"Home","item":"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/pt-br\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Publications","item":"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/publication\/"},{"@type":"ListItem","position":3,"name":"(Des)matando as Hidrel\u00e9tricas: A Amea\u00e7a do Desmatamento na Amaz\u00f4nia para a Energia do Brasil"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/pt-br\/#website","url":"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/pt-br\/","name":"CPI","description":"Climate Policy Initiative works to improve the most important energy and land use policies around the world, with a particular focus on finance.","publisher":{"@id":"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/pt-br\/#organization"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/pt-br\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Organization","@id":"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/pt-br\/#organization","name":"Climate Policy Initiative","url":"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/pt-br\/","logo":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/pt-br\/#\/schema\/logo\/image\/","url":"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/CPI_logo_cmyk_transparent.png","contentUrl":"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/CPI_logo_cmyk_transparent.png","width":1728,"height":720,"caption":"Climate Policy Initiative"},"image":{"@id":"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/pt-br\/#\/schema\/logo\/image\/"},"sameAs":["https:\/\/www.facebook.com\/ClimatePolicyInitiative","https:\/\/x.com\/climatepolicy","https:\/\/www.linkedin.com\/company\/climate-policy-initiative\/?lipi=urn:li:page:d_flagship3_search_srp_all;GvyQ8DliSYaW9eZhdq8RBQ==","https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCE8V0iDgBU8mreZdBegVCcA","https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Climate_Policy_Initiative"]}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/cpi_publications\/73622","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/cpi_publications"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/cpi_publications"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/233"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/78295"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=73622"}],"wp:term":[{"taxonomy":"programs","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/programs?post=73622"},{"taxonomy":"regions","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/regions?post=73622"},{"taxonomy":"topics","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/topics?post=73622"},{"taxonomy":"collaborations","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/collaborations?post=73622"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}