{"id":43280,"date":"2021-12-01T22:45:29","date_gmt":"2021-12-01T22:45:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/?post_type=cpi_publications&#038;p=43280"},"modified":"2026-04-12T03:55:39","modified_gmt":"2026-04-12T03:55:39","slug":"sob-a-lupa-do-deter-a-relacao-entre-degradacao-e-desmatamento-na-amazonia","status":"publish","type":"cpi_publications","link":"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/pt-br\/publication\/sob-a-lupa-do-deter-a-relacao-entre-degradacao-e-desmatamento-na-amazonia\/","title":{"rendered":"Sob a Lupa do DETER: A Rela\u00e7\u00e3o entre Degrada\u00e7\u00e3o e Desmatamento na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"\n<p id=\"F1234\">De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), mais de 17.000 quil\u00f4metros quadrados de floresta foram degradados por ano na Amaz\u00f4nia, em m\u00e9dia, entre 2017 e 2020, correspondendo a quase o dobro do desmatamento anual no mesmo per\u00edodo.<sup><a href=\"#N1\">[1]<\/a><\/sup> Essa degrada\u00e7\u00e3o florestal \u00e9 um fen\u00f4meno caracterizado pela perda parcial de vegeta\u00e7\u00e3o em determinado local. Diferencia-se, portanto, do desmatamento em corte raso, definido como a perda total ou quase total dessa vegeta\u00e7\u00e3o. Embora possa parecer menos destrutiva do que o desmatamento, a degrada\u00e7\u00e3o \u00e9 uma importante fonte de dano ambiental. Ela compromete a resili\u00eancia da floresta, tornando-a mais suscet\u00edvel a danos futuros, interfere com sua provis\u00e3o de servi\u00e7os ecossist\u00eamicos, contribui para a perda de biodiversidade e limita sua capacidade de absorver e estocar carbono.<sup><a href=\"#N2\">[2]<\/a>,<a href=\"#N3\">[3]<\/a>,<a href=\"#N4\">[4]<\/a><\/sup><\/p>\n\n\n\n<p id=\"F56\">A degrada\u00e7\u00e3o, tanto por ocorrer em larga escala na Amaz\u00f4nia Brasileira<sup><a href=\"#N5\">[5]<\/a>,<a href=\"#N6\">[6]<\/a><\/sup> quanto por produzir efeitos delet\u00e9rios, merece, ent\u00e3o, aten\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica p\u00fablica. Al\u00e9m disso, se o corte raso for precedido por perda florestal parcial, a degrada\u00e7\u00e3o poderia servir, tamb\u00e9m, como um indicador antecedente de desmatamento. Nesse caso, a\u00e7\u00f5es de combate \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o potencializariam a prote\u00e7\u00e3o da floresta ao conter danos ambientais em est\u00e1gio mais inicial, evitando, assim, desmatamento futuro. <strong>Um entendimento mais robusto sobre a rela\u00e7\u00e3o emp\u00edrica entre degrada\u00e7\u00e3o e desmatamento na Amaz\u00f4nia \u00e9, portanto, um insumo chave para definir prioridades da pol\u00edtica p\u00fablica de conserva\u00e7\u00e3o florestal.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p id=\"F78\">Visando contribuir para esse entendimento, o Climate Policy Initiative\/Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio de Janeiro (CPI\/PUC-Rio) est\u00e1 conduzindo uma s\u00e9rie de estudos<sup><a href=\"#N7\">[7]<\/a><\/sup> sobre a degrada\u00e7\u00e3o florestal na Amaz\u00f4nia. No primeiro, pesquisadores exploram a associa\u00e7\u00e3o entre degrada\u00e7\u00e3o e desmatamento a partir de dados do Projeto DEGRAD, produto do INPE que oferece mapas anuais de \u00e1reas degradadas em toda a Amaz\u00f4nia Brasileira entre 2007 e 2016.<sup><a href=\"#N8\">[8]<\/a><\/sup> Esta publica\u00e7\u00e3o traz os principais resultados de uma an\u00e1lise an\u00e1loga que explora dados p\u00fablicos mais recentes e detalhados de perda florestal disponibilizados pelo Sistema de Detec\u00e7\u00e3o de Desmatamento em Tempo Real (DETER), tamb\u00e9m produto do INPE.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"F910\">A evid\u00eancia revela que, apesar de haver baixa convers\u00e3o local<sup><a href=\"#N9\">[9]<\/a><\/sup> de degrada\u00e7\u00e3o em desmatamento, uma parcela significativa do desmatamento ocorre pr\u00f3ximo a \u00e1reas previamente degradadas. A rela\u00e7\u00e3o entre esses fen\u00f4menos varia, contudo, entre categorias fundi\u00e1rias<sup><a href=\"#N10\">[10]<\/a><\/sup> e parece ser mais intensa em propriedades privadas m\u00e9dias e grandes, assentamentos rurais e \u00e1reas n\u00e3o designadas. Al\u00e9m disso, destaca-se que a pr\u00f3pria degrada\u00e7\u00e3o se concentra muito mais em propriedades privadas m\u00e9dias e grandes do que o desmatamento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Esses resultados sugerem que estrat\u00e9gias de controle ambiental para o combate ao desmatamento devem levar em conta tanto a associa\u00e7\u00e3o espacial entre degrada\u00e7\u00e3o e desmatamento quanto sua distribui\u00e7\u00e3o heterog\u00eanea entre diferentes categorias fundi\u00e1rias. Ademais, refor\u00e7am a import\u00e2ncia de avan\u00e7ar a compreens\u00e3o sobre o papel da degrada\u00e7\u00e3o no processo de convers\u00e3o florestal na Amaz\u00f4nia, principalmente no que diz respeito a seus poss\u00edveis determinantes econ\u00f4micos.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Degrada\u00e7\u00e3o no Sistema DETER<\/h2>\n\n\n\n<p>O DETER \u00e9 um sistema de monitoramento por sat\u00e9lite capaz de identificar, em tempo quase real, diferentes tipos de altera\u00e7\u00e3o na cobertura vegetal da Floresta Amaz\u00f4nica, como desmatamento ou degrada\u00e7\u00e3o. Ao detectar uma mudan\u00e7a, o sistema gera um alerta georreferenciado que delimita a \u00e1rea afetada. Os alertas s\u00e3o enviados \u00e0s autoridades ambientais brasileiras, que usam essas informa\u00e7\u00f5es para focalizar seus esfor\u00e7os de fiscaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"F11\">Lan\u00e7ado em maio de 2004, o DETER original operou at\u00e9 dezembro de 2017 emitindo alertas com \u00e1rea m\u00ednima de 25 hectares. N\u00e3o havia distin\u00e7\u00e3o entre desmatamento e degrada\u00e7\u00e3o. Uma nova vers\u00e3o entrou em opera\u00e7\u00e3o em agosto de 2015. Desde ent\u00e3o, o sistema emite alertas com \u00e1rea m\u00ednima de aproximadamente tr\u00eas hectares e os classifica conforme os diferentes tipos de altera\u00e7\u00e3o na cobertura vegetal que s\u00e3o detectados.<sup><a href=\"#N11\">[11]<\/a><\/sup> Em particular, a degrada\u00e7\u00e3o florestal possui tr\u00eas diferentes subcategorias: Cicatriz de Inc\u00eandio Florestal,<a href=\"#na\"><sup>[12]<\/sup><\/a> Degrada\u00e7\u00e3o e Corte Seletivo. A primeira se refere a \u00e1reas que foram queimadas; a segunda \u00e9 mais gen\u00e9rica e abarca \u00e1reas em que h\u00e1 perda de cobertura vegetal parcial; e a terceira diz respeito a locais em que h\u00e1 evid\u00eancias visuais t\u00edpicas de extra\u00e7\u00e3o madeireira, seja legal ou ilegal.<\/p>\n\n\n\n<p>Para os prop\u00f3sitos deste estudo, o DETER traz algumas vantagens em rela\u00e7\u00e3o ao DEGRAD. Primeiro, por estar dispon\u00edvel para acesso p\u00fablico a partir do segundo semestre de 2016, cobre um per\u00edodo para o qual n\u00e3o h\u00e1 mais dados do DEGRAD, que foi descontinuado em dezembro de 2016. Segundo, a classifica\u00e7\u00e3o da degrada\u00e7\u00e3o em subcategorias permite que se explore o fen\u00f4meno em mais detalhes. Por fim, como os alertas s\u00e3o emitidos diariamente, \u00e9 poss\u00edvel analisar a din\u00e2mica da degrada\u00e7\u00e3o dentro de um mesmo ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Cabe ressaltar, todavia, que o DETER \u00e9 um sistema de apoio \u00e0s pol\u00edticas de controle ambiental e n\u00e3o um sistema de mensura\u00e7\u00e3o de \u00e1reas desmatadas e degradadas na Amaz\u00f4nia. \u00c9 esperado, portanto, que haja discrep\u00e2ncias entre a \u00e1rea total de alertas e a \u00e1rea total mapeada em sistemas de mensura\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7a na cobertura vegetal, como o Programa de Monitoramento da Floresta Amaz\u00f4nica Brasileira por Sat\u00e9lite (PRODES). Ainda assim, os dados do DETER s\u00e3o \u00fateis para se estudar a din\u00e2mica da degrada\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia nos \u00faltimos anos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Magnitude da Degrada\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p id=\"F12\">Em toda a Amaz\u00f4nia Legal, a degrada\u00e7\u00e3o anual m\u00e9dia medida pelos alertas do DETER foi de aproximadamente 17.000 quil\u00f4metros quadrados entre os anos-PRODES<sup><a href=\"#N12\">[13]<\/a><\/sup> de 2017 a 2020 \u2013 quase o dobro da \u00e1rea desmatada anualmente medida pelo PRODES nesse mesmo per\u00edodo. Com alertas de Cicatriz de Inc\u00eandio Florestal representando mais de 70% do total de \u00e1rea degradada, fica evidente que queimadas possuem papel central no processo de degrada\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia. Enquanto isso, as categorias Degrada\u00e7\u00e3o e Corte Seletivo responderam, respectivamente, por 16% e 12% do total.<\/p>\n\n\n\n<p>A degrada\u00e7\u00e3o concentrou-se predominantemente nos estados do Par\u00e1 (33% do total) e Mato Grosso (40% do total). Esta distribui\u00e7\u00e3o \u00e9 consideravelmente diferente da que se observa para o desmatamento em corte raso observado no PRODES, em que Par\u00e1 e Mato Grosso figuram com 40% e 18% do total desmatado no per\u00edodo. Embora esta diferen\u00e7a ainda esteja em n\u00edvel bastante agregado, ela sugere que a poss\u00edvel rela\u00e7\u00e3o entre degrada\u00e7\u00e3o e desmatamento pode variar de forma expressiva entre diferentes locais. A an\u00e1lise dos dados espaciais desagregados por alerta permite explorar isso mais a fundo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Convers\u00e3o Local de Degrada\u00e7\u00e3o para Desmatamento<\/h2>\n\n\n\n<p>Para investigar se a degrada\u00e7\u00e3o \u00e9 um indicador antecedente do desmatamento, deve-se averiguar se h\u00e1 desmatamento nas mesmas \u00e1reas em que j\u00e1 houve alerta <strong>anterior<\/strong> de degrada\u00e7\u00e3o. Assim, para cada \u00e1rea degradada identificada pelo DETER entre 2017 e 2020, busca-se saber se houve desmatamento subsequente naquele exato local \u2013 meses ou anos depois. Se isto acontece em larga escala, h\u00e1 ind\u00edcios de alta convers\u00e3o de degrada\u00e7\u00e3o para desmatamento.<\/p>\n\n\n\n<p>A Figura 1 mostra os resultados dessa an\u00e1lise por tipo de degrada\u00e7\u00e3o. Como exemplo, observa-se que mil quil\u00f4metros quadrados de degrada\u00e7\u00e3o por Cicatriz de Inc\u00eandio Florestal em 2018 foram convertidos em desmatamento tanto no pr\u00f3prio ano de 2018 \u2013 ou seja, em menos de 12 meses \u2013 quanto nos anos de 2019 ou 2020.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Figura 1.<\/strong> \u00c1reas Degradadas (DETER) Convertidas em Desmatamento (PRODES) em at\u00e9 3 anos<\/p>\n\n\n\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2059\" height=\"1319\" class=\"wp-image-43489\" style=\"width: 800px\" src=\"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/FIG01-PT.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/FIG01-PT.png 2059w, https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/FIG01-PT-300x192.png 300w, https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/FIG01-PT-1024x656.png 1024w, https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/FIG01-PT-1536x984.png 1536w, https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/FIG01-PT-2048x1312.png 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 2059px) 100vw, 2059px\" \/><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Nota:<\/strong> Ano-PRODES \u00e9 referente ao ano de alerta do DETER. Apenas alertas do DETER anteriores ao desmatamento no PRODES. Sobreposi\u00e7\u00e3o entre alertas do DETER no ano = t com desmatamento PRODES em ano \u2265 t.<br><strong>Fonte:<\/strong> CPI\/PUC-Rio com base nos dados do PRODES e DETER (INPE), 2021<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Em termos absolutos, o montante de convers\u00e3o de degrada\u00e7\u00e3o para desmatamento ao longo dos anos n\u00e3o \u00e9 irris\u00f3rio. Em termos relativos, todavia, o total de \u00e1rea degradada que eventualmente se converteu em desmatamento entre 2017 e 2020 foi de apenas 10% do total da \u00e1rea desmatada medida pelo PRODES no mesmo per\u00edodo. Isto aponta para uma baixa taxa de convers\u00e3o m\u00e9dia para a Amaz\u00f4nia como um todo. Entretanto, esse resultado agregado pode ocultar din\u00e2micas regionais e heterogeneidades relevantes. Para desvend\u00e1-las, \u00e9 preciso analisar outras formas de associa\u00e7\u00e3o espacial entre degrada\u00e7\u00e3o e desmatamento, bem como particularidades dos locais onde estas ocorrem.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Associa\u00e7\u00e3o Regional entre Degrada\u00e7\u00e3o e Desmatamento<\/h2>\n\n\n\n<p>De fato, mesmo que a degrada\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja precursora imediata de desmatamento em determinada \u00e1rea, ainda \u00e9 poss\u00edvel que os dois fen\u00f4menos ocorram perto um do outro. <strong>Ou seja, ainda que o desmatamento n\u00e3o ocorra exatamente no mesmo local que foi degradado anteriormente, \u00e9 poss\u00edvel que aconte\u00e7a nas redondezas.<\/strong> Para compreender se isso acontece, estuda-se agora quanto do desmatamento registrado no PRODES ocorre dentro das \u00e1reas de alertas de degrada\u00e7\u00e3o anteriores do DETER <strong>ou nas vizinhan\u00e7as destes.<\/strong> O Box 1 detalha como \u00e9 calculada essa medida. Em seguida, a Figura 2 mostra os resultados da an\u00e1lise.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-background\" style=\"background-color:#e6e7e8\"><strong>Box 1<\/strong>. Desmatamento em \u00c1reas de Alerta e em Suas Vizinhan\u00e7as<br><br><br><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1732\" height=\"962\" class=\"wp-image-43294\" style=\"width: 600px\" src=\"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/BOX01.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/BOX01.png 1732w, https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/BOX01-300x167.png 300w, https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/BOX01-1024x569.png 1024w, https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/BOX01-1536x853.png 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 1732px) 100vw, 1732px\" \/><br><br>Para cada alerta de degrada\u00e7\u00e3o do DETER, calcula-se a \u00e1rea desmatada que est\u00e1 localizada (i) na mesma \u00e1rea do alerta, (ii) em at\u00e9 0,5 quil\u00f4metro dessa \u00e1rea ou (iii) em at\u00e9 1 quil\u00f4metro dessa \u00e1rea. <br><br>Assim, \u00e9 poss\u00edvel calcular<strong> quanto do desmatamento total ocorreu na vizinhan\u00e7a dos alertas de degrada\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Figura 2.<\/strong> Desmatamento em \u00c1reas Degradadas ou em suas Proximidades entre Anos-PRODES 2017 e 2020<\/p>\n\n\n\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2082\" height=\"919\" class=\"wp-image-43492\" style=\"width: 800px\" src=\"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/FIG02-PT.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/FIG02-PT.png 2082w, https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/FIG02-PT-300x132.png 300w, https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/FIG02-PT-1024x452.png 1024w, https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/FIG02-PT-1536x678.png 1536w, https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/FIG02-PT-2048x904.png 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 2082px) 100vw, 2082px\" \/><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Nota:<\/strong> Apenas considerando alertas do DETER anteriores ao desmatamento no PRODES. \u00c1reas a at\u00e9 0,5 km ou 1 km dos alertas incluem, tamb\u00e9m, as \u00e1reas dos alertas. Soma das classes de alerta n\u00e3o \u00e9 igual a \u201cTotal das Classes\u201d, pois pode haver sobreposi\u00e7\u00e3o entre elas.<br><strong>Fonte:<\/strong> CPI\/PUC-Rio com base nos dados do PRODES e DETER (INPE), 2021<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Primeiro, nota-se que aproximadamente 4.000 quil\u00f4metros quadrados de floresta foram degradados e, posteriormente, desmatados entre 2017 e 2020, o que corresponde a 10% da \u00e1rea total desmatada nesse per\u00edodo \u2013 como j\u00e1 foi indicado na se\u00e7\u00e3o anterior. Todavia, olhando-se para a regi\u00e3o pr\u00f3xima aos alertas de degrada\u00e7\u00e3o, v\u00ea-se que pouco mais de 8.000 quil\u00f4metros quadrados foram desmatados em \u00e1reas de degrada\u00e7\u00e3o anterior ou em at\u00e9 0,5 quil\u00f4metro de dist\u00e2ncia destas. Isto representa, por sua vez, mais de 20% do total desmatado entre 2017 e 2020. Ao expandir essa vizinhan\u00e7a para um quil\u00f4metro, o percentual de desmatamento que ocorre em \u00e1reas degradadas ou em suas vizinhan\u00e7as alcan\u00e7a 30% no mesmo per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa parcela expressiva do desmatamento que ocorre em \u00e1reas previamente degradadas ou pr\u00f3ximo a estas sugere que a degrada\u00e7\u00e3o florestal pode funcionar como um indicativo do risco regional de dano ambiental. Logo, pode ser custo-efetivo focar esfor\u00e7os de fiscaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas nas \u00e1reas de alertas de degrada\u00e7\u00e3o do DETER, mas tamb\u00e9m em \u00e1reas pr\u00f3ximas a eles.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, ainda pode ser bastante desafiador para os \u00f3rg\u00e3os de controle ambiental atuarem em raios de 0,5 ou 1 quil\u00f4metro ao redor de alertas de degrada\u00e7\u00e3o. Embora pare\u00e7am dist\u00e2ncias pequenas para um territ\u00f3rio t\u00e3o vasto quanto a Amaz\u00f4nia, podem ser intranspon\u00edveis em locais remotos e de dif\u00edcil acesso. Nesse caso, uma vez emitido um alerta de degrada\u00e7\u00e3o, seria importante compreender quais \u00e1reas estariam sob maior risco de desmatamento nas proximidades. Este estudo d\u00e1 um primeiro passo nesse sentido ao analisar como a associa\u00e7\u00e3o entre degrada\u00e7\u00e3o e desmatamento varia entre diferentes classes fundi\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Associa\u00e7\u00e3o entre Degrada\u00e7\u00e3o e Desmatamento em Diferentes Classes Fundi\u00e1rias<\/h2>\n\n\n\n<p>O desmatamento na Amaz\u00f4nia tende a se concentrar em determinadas classes fundi\u00e1rias, como se pode observar no Painel A da Figura 3. Entre 2017 e 2020, a maior parte do desmatamento ocorreu em (i) propriedades privadas m\u00e9dias e grandes; (ii) assentamentos rurais; e (iii) \u00e1reas n\u00e3o designadas. Os alertas de degrada\u00e7\u00e3o do DETER tamb\u00e9m apresentam concentra\u00e7\u00e3o por classe fundi\u00e1ria, mas o padr\u00e3o de distribui\u00e7\u00e3o \u00e9 bastante diferente do observado para o desmatamento. O Painel B da Figura 3 mostra que as propriedades privadas m\u00e9dias e grandes concentram uma fra\u00e7\u00e3o maior da \u00e1rea degradada do que da desmatada. O mesmo ocorre com os territ\u00f3rios protegidos, em particular nos anos-PRODES 2017 e 2018. J\u00e1 assentamentos rurais e \u00e1reas n\u00e3o designadas t\u00eam uma participa\u00e7\u00e3o maior no desmatamento do que na degrada\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Figura 3.<\/strong> Distribui\u00e7\u00e3o do Desmatamento e da Degrada\u00e7\u00e3o Anuais por Classe Fundi\u00e1ria entre Anos-PRODES 2017 e 2020<\/p>\n\n\n\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2072\" height=\"1356\" class=\"wp-image-43495\" style=\"width: 800px\" src=\"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/FIG03-PT.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/FIG03-PT.png 2072w, https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/FIG03-PT-300x196.png 300w, https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/FIG03-PT-1024x670.png 1024w, https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/FIG03-PT-1536x1005.png 1536w, https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/FIG03-PT-2048x1340.png 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 2072px) 100vw, 2072px\" \/><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Nota:<\/strong> Percentual calculado sobre \u00e1rea desmatada ou degradada em cada Ano-PRODES.<br><strong>Fonte:<\/strong> CPI\/PUC-Rio com base nos dados do PRODES e DETER (INPE), Atlas Agropecu\u00e1rio (Imaflora) e Floresta P\u00fablica Tipo-B (SFB), 2021<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A distribui\u00e7\u00e3o n\u00e3o homog\u00eanea da degrada\u00e7\u00e3o e do desmatamento entre classes fundi\u00e1rias na Amaz\u00f4nia sugere que diferentes estruturas de governan\u00e7a podem influenciar quais pr\u00e1ticas de convers\u00e3o florestal e uso do solo predominam em diferentes locais.<\/strong> Poderiam, ent\u00e3o, tamb\u00e9m influenciar a associa\u00e7\u00e3o entre esses dois fen\u00f4menos? Em se detectando um padr\u00e3o claro, autoridades ambientais poderiam usar essa informa\u00e7\u00e3o para focalizar esfor\u00e7os de controle ambiental em \u00e1reas que estejam pr\u00f3ximas de degrada\u00e7\u00e3o e dentro de determinadas classes fundi\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"F13\">Para explorar essa possibilidade, a Figura 4 apresenta a associa\u00e7\u00e3o entre degrada\u00e7\u00e3o e posterior desmatamento pr\u00f3ximo considerando a classe fundi\u00e1ria em que ocorreu o desmatamento. Em termos absolutos,<sup><a href=\"#N13\">[14]<\/a><\/sup> propriedades privadas m\u00e9dias e grandes, assentamentos rurais e \u00e1reas n\u00e3o designadas parecem concentrar o desmatamento que ocorre pr\u00f3ximo a \u00e1reas degradadas. Como exemplo, quase 2.500 quil\u00f4metros quadrados de desmatamento entre 2017 e 2020 ocorreram em \u00e1reas previamente degradadas, ou a menos de 0,5 quil\u00f4metro destas, e que estavam dentro de propriedades privadas m\u00e9dias e grandes.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Figura 4.<\/strong> Associa\u00e7\u00e3o Regional entre Degrada\u00e7\u00e3o e Desmatamento por Classe Fundi\u00e1ria nos Anos-PRODES 2017 a 2020<\/p>\n\n\n\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"2035\" height=\"1155\" class=\"wp-image-43498\" style=\"width: 800px\" src=\"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/FIG04-PT.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/FIG04-PT.png 2035w, https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/FIG04-PT-300x170.png 300w, https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/FIG04-PT-1024x581.png 1024w, https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/FIG04-PT-1536x872.png 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 2035px) 100vw, 2035px\" \/><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Nota:<\/strong> Apenas considerando alertas do DETER anteriores ao desmatamento no PRODES. \u00c1reas a 0,5 km ou 1 km dos alertas incluem, tamb\u00e9m, as \u00e1reas dos alertas.<\/em><br><em><strong>Fonte:<\/strong> CPI\/PUC-Rio com base nos dados do PRODES e DETER (INPE), Atlas Agropecu\u00e1rio (Imaflora) e Floresta P\u00fablica Tipo-B (SFB), 2021<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Esse resultado adv\u00e9m, em parte, da maior ocorr\u00eancia de desmatamento nessas mesmas categorias. De qualquer forma, aponta para um poss\u00edvel fator de prioriza\u00e7\u00e3o para a\u00e7\u00f5es de controle ambiental no entorno de alertas de degrada\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Implica\u00e7\u00f5es para a Pol\u00edtica P\u00fablica<\/h2>\n\n\n\n<p>A ocorr\u00eancia da degrada\u00e7\u00e3o florestal pode ser um fator importante a se considerar para potencializar o impacto das pol\u00edticas de prote\u00e7\u00e3o florestal. Os resultados sugerem que a degrada\u00e7\u00e3o serve como um alerta de que determinada regi\u00e3o est\u00e1 sob risco iminente de desmatamento e deve, portanto, ser considerada como insumo para o planejamento estrat\u00e9gico do combate ao desmatamento. Al\u00e9m disso, padr\u00f5es de concentra\u00e7\u00e3o de perda florestal em categorias fundi\u00e1rias oferecem poss\u00edveis crit\u00e9rios de prioriza\u00e7\u00e3o para a\u00e7\u00f5es de controle ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, a an\u00e1lise traz ind\u00edcios de que a convers\u00e3o de degrada\u00e7\u00e3o para desmatamento em um mesmo local n\u00e3o ocorre em escala na Amaz\u00f4nia. Esta conclus\u00e3o \u00e9 de interesse para a pol\u00edtica p\u00fablica por si s\u00f3, pois sugere que as motiva\u00e7\u00f5es por tr\u00e1s da degrada\u00e7\u00e3o, que atinge uma vasta \u00e1rea da Amaz\u00f4nia, podem diferir daquelas que impulsionam o desmatamento na regi\u00e3o. De fato, se a degrada\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um est\u00e1gio que precede o desmatamento, \u00e9 necess\u00e1rio desvendar seus prop\u00f3sitos espec\u00edficos para que se possam desenhar estrat\u00e9gias de combate \u00e0 perda florestal mais eficazes. Em especial, destaca-se a concentra\u00e7\u00e3o espacial da degrada\u00e7\u00e3o em propriedades privadas m\u00e9dias e grandes. Isso sugere que o combate \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o requer ainda maior efetividade da pol\u00edtica p\u00fablica para a prote\u00e7\u00e3o florestal em terras privadas, como o C\u00f3digo Florestal.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Dados<\/h2>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise explora um rico conjunto de dados vetoriais, criado a partir de diversas fontes publicamente dispon\u00edveis. As principais vari\u00e1veis e suas fontes s\u00e3o as seguintes: alertas de degrada\u00e7\u00e3o, disponibilizados pelo DETER\/INPE; desmatamento anual, disponibilizado pelo do PRODES\/INPE; e malha fundi\u00e1ria, proveniente do Atlas Agropecu\u00e1rio\/Imaflora e do Cadastro Nacional de Florestas P\u00fablicas\/Servi\u00e7o Florestal Brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Nota Metodol\u00f3gica<\/h2>\n\n\n\n<p>O estudo analisa o fen\u00f4meno de degrada\u00e7\u00e3o florestal e sua rela\u00e7\u00e3o com desmatamento nos anos de 2017 a 2020 (anos-PRODES). Tanto os dados de degrada\u00e7\u00e3o quanto de desmatamento utilizados neste trabalho possuem \u00e1rea m\u00ednima de 6,25 hectares e s\u00e3o referentes \u00e0 Amaz\u00f4nia Legal Brasileira. A an\u00e1lise relaciona eventos de degrada\u00e7\u00e3o e desmatamento que ocorrem no mesmo local ou pr\u00f3ximos um ao outro e foca apenas nos casos em que a \u00e1rea degradada precede temporalmente a desmatada, estratificando os resultados por categorias fundi\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p><span class=\"button\"><a href=\"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/INS-DETER-PT.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">LEIA A VERS\u00c3O EM PDF AQUI<\/a><\/span><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\" \/>\n\n\n\n<p><em>Os autores gostariam de agradecer \u00e0s equipes do CENIMA\/IBAMA e INPE pelos coment\u00e1rios e sugest\u00f5es. Tamb\u00e9m agradecem a Juliano Assun\u00e7\u00e3o, Natalie Hoover El Rashidy e Giovanna de Miranda pela edi\u00e7\u00e3o e revis\u00e3o do texto, al\u00e9m de Nina Oswald Vieira e Julia Berry pelo trabalho de formata\u00e7\u00e3o e design gr\u00e1fico.<\/em><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\" \/>\n\n\n\n<p id=\"N1\"><a href=\"#F1234\">[1]<\/a>&nbsp;&nbsp;Dados de degrada\u00e7\u00e3o s\u00e3o obtidos a partir dos alertas do Sistema de Detec\u00e7\u00e3o de Desmatamento em Tempo Real (DETER), ao passo que o desmatamento anual \u00e9 medido pelo Programa de Monitoramento da Floresta Amaz\u00f4nica Brasileira por Sat\u00e9lite (PRODES). Embora o DETER tenha sido desenvolvido para auxiliar a pol\u00edtica de controle ambiental e n\u00e3o para medir o total de degrada\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia, \u00e9 a \u00fanica medida dispon\u00edvel atualmente para o per\u00edodo de interesse deste estudo.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"N2\"><a href=\"#_ftnref2\">[<\/a><a href=\"#F1234\">2]<\/a>&nbsp;&nbsp;Barlow, Jos et al. \u201cAnthropogenic disturbance in tropical forests can double biodiversity loss from deforestation\u201d. <em>Nature<\/em> 535 (2016): 144-147. <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3Bm71Ce\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><u>bit.ly\/3Bm71Ce<\/u><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"N3\"><a href=\"#F1234\">[3]<\/a>&nbsp;&nbsp;IPCC. <em>Climate Change and Land: an IPCC special report on climate change, desertification, land degradation, sustainable land management, food security, and greenhouse gas fluxes in terrestrial ecosystems<\/em>. 2019. <a href=\"https:\/\/bit.ly\/2UZbTMP\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><u>bit.ly\/2UZbTMP<\/u><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"N4\"><a href=\"#F1234\">[4]<\/a><em>&nbsp;&nbsp;<\/em>Longo, Marcos, et al. \u201cAboveground biomass variability across intact and degraded forests in the Brazilian Amazon\u201d.<em> Global Biogeochemical Cycles<\/em> 30 (2016): 1639-1660. <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3wUmA0x\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><u>bit.ly\/3wUmA0x<\/u><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"N5\"><a href=\"#F56\">[5]<\/a>&nbsp;&nbsp;Matricardi, Eraldo A. T. et al. \u201cLong-term forest degradation surpasses deforestation in the Brazilian Amazon\u201d. <em>Science 369<\/em>, n\u00ba 6509 (2020): 1378-1382. <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3kCLv6l\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><u>bit.ly\/3kCLv6l<\/u><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"N6\"><a href=\"#_ftnref6\">[<\/a><a href=\"#F56\">6]<\/a>&nbsp;&nbsp;Rappaport, Danielle I., Douglas C. Morton, Marcos Longo, Michael Keller, Raplh Dubayah e Maiza N. dos-Santos. \u201cQuantifying long-term changes in carbon stocks and forest structure from Amazon Forest degradation\u201d. <em>Environmental Research Letters<\/em> 13, n\u00ba 6 (2018): 065013. <a href=\"http:\/\/bit.ly\/3rpypus\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><u>bit.ly\/3rpypus<\/u><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"N7\"><a href=\"#F78\">[7]<\/a>&nbsp;&nbsp;Menezes, Diego, Rafael Pucci, Jo\u00e3o Mour\u00e3o e Clarissa Gandour. A <em>Rela\u00e7\u00e3o entre Fogo Florestal e Desmatamento na Amaz\u00f4nia: Associa\u00e7\u00e3o entre Fen\u00f4menos \u00e9 Mais Forte em Assentamentos Rurais e Posses em Terras P\u00fablicas<\/em>. Rio de Janeiro: Climate Policy Initiative, 2021. <a href=\"http:\/\/bit.ly\/FogoFlorestal\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">bit.ly\/FogoFlorestal<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"N8\"><a href=\"#F78\">[8]<\/a>&nbsp;&nbsp;Gandour, Clarissa, Diego Menezes, Jo\u00e3o Pedro Vieira e Juliano Assun\u00e7\u00e3o. <em>Degrada\u00e7\u00e3o Florestal na Amaz\u00f4nia: Fen\u00f4meno Relacionado ao Desmatamento Precisa ser Alvo de Pol\u00edtica P\u00fablica.<\/em> Rio de Janeiro: Climate Policy Initiative, 2021. <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3x25pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><u>bit.ly\/3x25pdf<\/u><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"N9\"><a href=\"#F7\"><\/a><a href=\"#F910\">[9]<\/a>&nbsp;&nbsp;Convers\u00e3o local ocorre quando a mesma \u00e1rea que sofreu degrada\u00e7\u00e3o \u00e9&nbsp;desmatada depois. Ou seja, \u00e9 o caso em que a degrada\u00e7\u00e3o serve como primeiro est\u00e1gio do desmatamento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p id=\"N10\"><a href=\"#F910\">[10]<\/a>&nbsp;&nbsp;\u201cCategorias fundi\u00e1rias\u201d se referem ao tipo de governan\u00e7a da terra. Cada categoria tem caracter\u00edsticas pr\u00f3prias de dominialidade (p\u00fablica ou privada), gest\u00e3o (coletiva ou individual), de v\u00ednculo ou n\u00e3o a algum \u00f3rg\u00e3o governamental espec\u00edfico (como FUNAI ou INCRA) e \u00e9 regida por legisla\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria. Neste estudo, as categorias fundi\u00e1rias s\u00e3o as seguintes: Propriedade Privada Pequena\/M\u00e9dia\/Grande, Territ\u00f3rio Protegido, Assentamento Rural, \u00c1rea N\u00e3o Designada, \u00c1rea N\u00e3o Identificada e Outros.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"N11\"><a href=\"#F11\">[11]<\/a>&nbsp;&nbsp;Conforme informado na <a href=\"http:\/\/www.obt.inpe.br\/OBT\/assuntos\/programas\/amazonia\/deter\/deter\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><u>p\u00e1gina oficial do sistema DETER<\/u><\/a>, a base de dados divulgada publicamente pelo INPE cont\u00e9m apenas os alertas com \u00e1rea m\u00ednima de 6,25 hectares para manter comparabilidade com os dados divulgados no \u00e2mbito do PRODES, que mapeia e mede o desmatamento anual.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"na\"><a href=\"#F11\">[12]<\/a> \u00c9 importante diferenciar dois conceitos que se referem a inc\u00eandios florestais: \u201cCicatriz de Inc\u00eandio\u201d e \u201cFoco de Fogo\u201d. A \u201cCicatriz de Inc\u00eandio\u201d \u00e9 a marca visual deixada por um epis\u00f3dio de inc\u00eandio florestal e \u00e9 detectada por sensores \u00f3pticos em sat\u00e9lites. Em contrapartida, o \u201cFoco de Fogo\u201d \u00e9 registrado no momento em que o inc\u00eandio florestal est\u00e1, de fato, ocorrendo e emitindo calor e \u00e9 capturado por sensores termais em sat\u00e9lites. Tipicamente, \u201cCicatrizes de Inc\u00eandio\u201d s\u00e3o causadas por \u201cFocos de Fogo\u201d, mas nem todo \u201cFoco de Fogo\u201d deixa tra\u00e7os vis\u00edveis que possam ser caracterizados como \u201cCicatrizes de Inc\u00eandio\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"N12\"><a href=\"#F12\">[13]<\/a>&nbsp;&nbsp;Utiliza-se o conceito de <em>ano-PRODES<\/em> nesta an\u00e1lise para manter comparabilidade com os dados de incremento anual de desmatamento gerados pelo PRODES. A saber: o chamado \u201cincremento anual de desmatamento\u201d medido pelo PRODES n\u00e3o se refere a um ano civil comum, mas, sim, ao per\u00edodo que se inicia em agosto de determinado ano e se encerra em julho do ano seguinte. Por exemplo, o <em>ano-PRODES<\/em> <em>2017<\/em> se inicia em agosto de 2016 e termina em julho de 2017.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"N13\"><a href=\"#F11\">[1<\/a><a href=\"#F13\">4]<\/a>&nbsp;&nbsp;Em termos relativos, a propor\u00e7\u00e3o de desmatamento que ocorre em \u00e1reas previamente degradadas ou em suas proximidades n\u00e3o varia de forma expressiva entre categorias fundi\u00e1rias. De modo geral, entre 20% e 30% do desmatamento ocorre em at\u00e9 0,5 quil\u00f4metro de alertas de degrada\u00e7\u00e3o para todas as classes fundi\u00e1rias. Para \u00e1reas a menos de 1 quil\u00f4metro, essa propor\u00e7\u00e3o varia entre 30% e 40%.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta publica\u00e7\u00e3o traz os principais resultados de uma an\u00e1lise an\u00e1loga que explora dados p\u00fablicos mais recentes e detalhados de perda florestal disponibilizados pelo Sistema de Detec\u00e7\u00e3o de Desmatamento em Tempo Real (DETER), tamb\u00e9m produto do 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