{"id":29382,"date":"2015-08-17T15:18:00","date_gmt":"2015-08-17T15:18:00","guid":{"rendered":"http:\/\/climatepolicyinitiative.org\/publication\/fortalecendo-a-protecao-da-amazonia-brasileira-em-um-cenario-de-mudanca\/"},"modified":"2026-04-20T12:52:09","modified_gmt":"2026-04-20T12:52:09","slug":"fortalecendo-a-protecao-da-amazonia-brasileira-em-um-cenario-de-mudanca","status":"publish","type":"cpi_publications","link":"https:\/\/www.climatepolicyinitiative.org\/pt-br\/publication\/fortalecendo-a-protecao-da-amazonia-brasileira-em-um-cenario-de-mudanca\/","title":{"rendered":"Fortalecendo A Prote\u00e7\u00e3o Da Amaz\u00f4nia Brasileira Em Um Cen\u00e1rio De Mudan\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p><em>Desmatamento em pequena escala na Amaz\u00f4nia requer que Brasil adapte suas pol\u00edticas.<\/em><\/p>\n<p>Entre 2004 e 2012, houve redu\u00e7\u00e3o de quase 80% da taxa anual de desmatamento na Amaz\u00f4nia brasileira, em grande parte devido a pol\u00edticas de combate ao desmatamento introduzidas a partir de 2004. Ainda que isso seja uma boa not\u00edcia para aqueles determinados a proteger a floresta, o pa\u00eds agora enfrenta um novo desafio: atualmente, o desmatamento ocorre em pequenos incrementos, mais dif\u00edceis de detectar e, portanto, de combater.<\/p>\n<p>A recente mudan\u00e7a na composi\u00e7\u00e3o do desmatamento (ver Figura 1) levanta uma nova quest\u00e3o: o que contribuiu para a crescente participa\u00e7\u00e3o do desmatamento em pequena escala ao longo do tempo? Segundo pesquisa conduzida pelo&nbsp;<em>Climate Policy Initiative<\/em>&nbsp;(CPI) em parceria com o N\u00facleo de Avalia\u00e7\u00e3o de Pol\u00edticas Clim\u00e1ticas da PUC-Rio (NAPC\/PUC-Rio)*, a exist\u00eancia de diferen\u00e7as regionais e de padr\u00f5es distintos de comportamento em cada local \u00e9 uma parte crucial da resposta, contendo importantes implica\u00e7\u00f5es de pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Os pesquisadores focaram em padr\u00f5es e pr\u00e1ticas de desmatamento no Mato Grosso e no Par\u00e1, mas obtiveram resultados relevantes para o combate do desmatamento na Amaz\u00f4nia como um todo.<\/p>\n<h5>PRINCIPAIS RECOMENDA\u00c7\u00d5ES<\/h5>\n<ul>\n<li>Criar novas estrat\u00e9gias focadas no desmatamento em pequena escala e complementar as t\u00e1ticas que se mostraram eficazes no combate ao desmatamento em m\u00e9dia e grande escalas.<\/li>\n<li>Adaptar novas pol\u00edticas \u00e0s especificidades locais para acomodar diferen\u00e7as regionais.<\/li>\n<li>Aprimorar tecnologias de monitoramento baseadas em sensoriamento remoto para detectar o desmatamento em pequena escala.<\/li>\n<\/ul>\n<h5>PRINCIPAIS RESULTADOS<\/h5>\n<ul>\n<li>Devido em parte a pol\u00edticas que ajudaram a reduzir o desmatamento em m\u00e9dia e grande escalas, o desmatamento na Amaz\u00f4nia hoje ocorre principalmente em pequenos incrementos. A atividade em pequena escala, que j\u00e1 representou um quarto do desmatamento anual total e hoje responde por mais da metade do mesmo, \u00e9 de dif\u00edcil detec\u00e7\u00e3o no atual sistema de monitoramento.<\/li>\n<li>Pequenas propriedades no Par\u00e1 emergiram como os principais agentes do desmatamento dentro de propriedade privada no estado.<\/li>\n<li>Propriedade pequenas e m\u00e9dias tanto no Mato Grosso quanto no Par\u00e1 parecem ter reagido ao sistema de monitoramento, passando a desmatar em incrementos menores.<\/li>\n<li>Atuais diferen\u00e7as estaduais podem ser parcialmente explicadas por diferen\u00e7as hist\u00f3ricas: no in\u00edcio da d\u00e9cada de 2000, pequenas propriedades no Mato Grosso tendiam a desmatar em incrementos m\u00e9dios e grandes, enquanto, no Par\u00e1, predominava o desmatamento em pequena escala. Com isso, era relativamente menos prov\u00e1vel que o sistema de monitoramento detectasse a atividade de agentes dentro de pequenas propriedades no Par\u00e1.<\/li>\n<\/ul>\n<h5>AN\u00c1LISE PARA TOMADORES DE DECIS\u00c3O<\/h5>\n<p><em>Aprendendo com as diferen\u00e7as entre Mato Grosso e Par\u00e1<\/em><\/p>\n<p>A taxa de desmatamento anual da Amaz\u00f4nia caiu de um pico de 27.000 km<sup>2<\/sup>&nbsp;em 2004 para 4.500 km<sup>2<\/sup>&nbsp;em 2012. Essa queda pode ser parcialmente atribu\u00edda a novas pol\u00edticas de combate ao desmatamento adotadas a partir de 2004, incluindo a ado\u00e7\u00e3o de um sistema de monitoramento baseado em imagens de sat\u00e9lite. Apesar dos novos esfor\u00e7os de monitoramento terem desempenhado papel fundamental na redu\u00e7\u00e3o do desmatamento em m\u00e9dia e grande escalas, uma limita\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica impede o sistema de detectar pequenas \u00e1reas desmatadas. Com isso, clareiras de at\u00e9 25 hectares \u2013 \u00e1rea equivalente a aproximadamente 15 a 20 campos de futebol \u2013 n\u00e3o s\u00e3o detectadas pelo sistema.<\/p>\n<p>Conforme ilustrado na Figura 1, pesquisadores do CPI\/NAPC mostram que, entre o in\u00edcio da d\u00e9cada de 2000 e o in\u00edcio da d\u00e9cada seguinte, o total desmatado em pequenos incrementos permaneceu aproximadamente constante em cada ano, mas cresceu em termos relativos ao longo do tempo \u2013 de um quarto do desmatamento anual total em 2004 para mais da metade em 2012.<\/p>\n<p>Atualmente, o desmatamento ocorre principalmente em pequenos incrementos (ver Figura 2). Al\u00e9m disso, ao analisar o desmatamento ocorrido dentro de diferentes tamanhos de propriedade privada, o trabalho indica que propriedades pequenas (medindo at\u00e9 250 a 350 hectares) apresentam um padr\u00e3o diferente daquele visto em propriedades maiores.<\/p>\n<p>Os pesquisadores examinaram dados do Mato Grosso e do Par\u00e1 para entender como o desmatamento ocorre em diferentes partes da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<h5><strong>Padr\u00f5es de Desmatamento no Mato Grosso<\/strong><\/h5>\n<p>No in\u00edcio da d\u00e9cada de 2000, pequenas propriedades no Mato Grosso demonstravam tend\u00eancia a desmatar em incrementos m\u00e9dios e grandes. Apesar da fra\u00e7\u00e3o do desmatamento estadual ocorrido dentro de pequenas propriedades ter permanecido constante ao longo da d\u00e9cada (ver Figura 3), a fra\u00e7\u00e3o de desmatamento em pequena escala aumentou no estado (ver Figura 4). Isso se deve \u00e0 queda do desmatamento em m\u00e9dios e grandes incrementos dentro de m\u00e9dias e grandes propriedades.<\/p>\n<p>Os pesquisadores suspeitam que a mudan\u00e7a para pequenas \u00e1reas desmatadas resulta principalmente da efic\u00e1cia do sistema de monitoramento, que contribui para a conten\u00e7\u00e3o de clareiras maiores que 25 hectares. Diante da maior facilidade de detec\u00e7\u00e3o da atividade ilegal e, consequentemente, do combate mais efetivo \u00e0 mesma, agentes atuando em propriedades privadas no Mato Grosso alteraram suas pr\u00e1ticas de desmatamento, passando a cortar floresta em pequenos incrementos para n\u00e3o serem detectados pelo sistema.<\/p>\n<h5><strong>Padr\u00f5es de Desmatamento no Par\u00e1<\/strong><\/h5>\n<p>Apesar das pr\u00e1ticas de desmatamento no Par\u00e1 e no Mato Grosso apresentarem algumas semelhan\u00e7as, as diferen\u00e7as observadas entre os estados apontam para a necessidade de adequar pol\u00edticas p\u00fablicas \u00e0s necessidades locais.<\/p>\n<p>No in\u00edcio dos anos 2000, o desmatamento em pequena escala era mais predominante em pequenas propriedades no Par\u00e1 do que no Mato Grosso. Ao longo da d\u00e9cada, a participa\u00e7\u00e3o de pequenas \u00e1reas desmatadas no desmatamento estadual cresceu de forma acentuada, principalmente quando comparada \u00e0 tend\u00eancia vista no Mato Grosso. O desmatamento em pequenas propriedades permaneceu relativamente mais persistente no Par\u00e1 at\u00e9 o in\u00edcio dos anos 2010.<\/p>\n<p>Uma expressiva parte das \u00e1reas desmatadas dentro de propriedades privadas no Par\u00e1 era, portanto, menos vis\u00edvel aos agentes de monitoramento e aplica\u00e7\u00e3o da lei. Na pr\u00e1tica, os agentes respons\u00e1veis por esse desmatamento eram relativamente mais capazes de escapar do monitoramento. Isso sugere que as pol\u00edticas de conserva\u00e7\u00e3o podem ter sido mais eficazes em conter o desmatamento no Mato Grosso do que no Par\u00e1.<\/p>\n<p>Agentes atuando em propriedades m\u00e9dias e grandes no Par\u00e1 tamb\u00e9m podem ter reagido \u00e0s pol\u00edticas de combate ao desmatamento, passando a desmatar em incrementos menores. Apesar disso, as pequenas propriedades claramente emergiram como os l\u00edderes do desmatamento no estado.<\/p>\n<h5><strong>Diferen\u00e7as em Tamanho de Propriedade e Pol\u00edtica de Conserva\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h5>\n<p>Em ambos estados, at\u00e9 agentes que operavam em pequena escala em pequenas propriedades podem ter reduzido o desmatamento em resposta ao monitoramento mais acirrado em \u00e1reas vizinhas de m\u00e9dio ou grande porte. Esse efeito provavelmente foi mais forte no Mato Grosso, onde prevaleciam propriedades m\u00e9dias e grandes. Ademais, como a propriedade m\u00e9dia no Mato Grosso \u00e9 muito maior do que no Par\u00e1, provavelmente houve maior probabilidade do sistema de monitoramento detectar desmatamento dentro de propriedades privadas no Mato Grosso.<\/p>\n<h5>CONCLUS\u00c3O<\/h5>\n<p>Apesar dos pesquisadores enfatizarem que os dados utilizados no estudo n\u00e3o permitem identificar as causas por tr\u00e1s das diferen\u00e7as estaduais, o trabalho ilustra como o comportamento individual pode variar entre regi\u00f5es. Diante disso, o desmatamento n\u00e3o pode mais ser tratado como um problema homog\u00eaneo na Amaz\u00f4nia. Tomadores de decis\u00e3o devem come\u00e7ar a adequar medidas e pol\u00edticas \u00e0s necessidades e diferen\u00e7as locais e, assim, enfrentar o desafio de conter o desmatamento em pequena escala.<\/p>\n<h5>NOTAS SOBRE OS DADOS<\/h5>\n<p>Fontes:<\/p>\n<ul>\n<li>Incremento anual de desmatamento: Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amaz\u00f4nia Legal por Sat\u00e9lite (PRODES) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)<\/li>\n<li>Per\u00edmetros de propriedades privadas: Cadastro Ambiental Rural (CAR) e registro da Licen\u00e7a Ambiental \u00danica (LAU)<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Metodologia.<\/strong>&nbsp;O estudo combina os per\u00edmetros das propriedades privadas com dados georreferenciados de desmatamento para determinar se \u00e1reas desmatadas estavam localizadas dentro de propriedades pequenas, m\u00e9dias, ou grandes.<\/p>\n<p><strong>Limita\u00e7\u00f5es.&nbsp;<\/strong>Devido \u00e0 disponibilidade dos dados, o estudo foca em propriedades rurais privadas registradas no Mato Grosso e no Par\u00e1. Os dados respondem por aproximadamente dois ter\u00e7os da \u00e1rea de floresta desmatada durante o per\u00edodo estudado. Ainda que os dados n\u00e3o cubram a totalidade da Amaz\u00f4nia brasileira, a amostra \u00e9 relevante.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre 2004 e 2012, houve redu\u00e7\u00e3o de quase 80% da taxa anual de desmatamento na Amaz\u00f4nia brasileira, em grande parte devido a pol\u00edticas de combate ao desmatamento introduzidas a partir de 2004. 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